O presidente da Stellantis na América do Sul alertou sobre riscos à competitividade da indústria automotiva brasileira diante do mercado asiático. O tema ganhou destaque durante o fórum inédito Anfavea Visions, realizado nesta terça-feira.
Herlander Zola apontou que a atual velocidade de desenvolvimento de novos veículos precisa acelerar para acompanhar as chinesas recém-chegadas. Ele ressaltou que a mudança depende de mudanças de escala e, em especial, do fim da jornada de trabalho 6×1 em discussão.
Segundo o executivo, a indústria ocidental trabalha com ciclos longos, o que pode tornar o Brasil menos ágil frente às concorrentes da Ásia. Otimizar o timing de lançamento de produtos seria essencial para manter competitividade.
Zola também destacou impactos financeiros e operacionais da possível mudança na jornada de trabalho para as linhas brasileiras. Em comparação com a China, ele citou maior carga de horas trabalhadas por semana no país asiático.
O representante da Stellantis afirmou que o setor deve se ajustar às regras governamentais. O objetivo, segundo ele, é esclarecer impactos e buscar adaptação às decisões que interferem na competitividade.
A pauta de nacionalização de peças vem perdendo força frente à expansão da capacidade de produção da China. O executivo ressaltou que a lógica de estímulo à indústria nacional precisa considerar o volume de componentes locais.
Para reduzir a desvantagem, Zola sugeriu mecanismos governamentais que Compensem custos com base no nível de localização. A ideia é evitar desidratação do parque industrial brasileiro, mantendo escala competitiva.
Ele lembrou ainda a diferença de escala entre Brasil e China, destacando que o Brasil produz cerca de 3 milhões de carros por ano, bem abaixo dos quase 30 milhões da China. A comparação evidencia o desafio de competitividade.
Entre na conversa da comunidade