O Banco do Japão deve elevar a taxa básica de juros de 0,75% para 1% nesta terça-feira, alcançando o maior patamar desde 1995. A decisão é vista como potencialmente decisiva para a liquidez global, inclusiva no mercado de Bitcoin. A análise envolve o carry trade financiado em iene.
Traders acompanham de perto o movimento, pois pode provocar desmonte rápido de apostas já existentes. Dados da Commodity Futures Trading Commission mostram que fundos alavancados voltaram a vender iene, alcançando mais de 115 mil contratos na semana encerrada em 9 de junho, o maior volume desde 2017.
O cenário atual lembra episódios anteriores à alta de juros japonesa em julho de 2024. Naquela época, a venda agressiva de iene levou a valorização da moeda e a volatilidade nos mercados globais, com o Bitcoin caindo significativamente após a decisão.
Se o Banco do Japão confirmar o aperto, mas com tom cauteloso, a reação pode ser contida. Contudo, uma sinalização de aceleração ou de níveis acima de 1% pode fortalecer o iene e pressionar ativos de risco ao redor do mundo, incluindo criptomoedas.
Impacto direto no Bitcoin tende a vir da liquidez global. Em momentos de tranquilidade, o influxo de capital em ativos de maior risco favorece o mercado cripto. Já em desmontagens de posições alavancadas, o fluxo tende a se inverter rapidamente.
Para traders de criptomoedas, a leitura é de que a decisão japonesa pode mexer menos na taxa em si e mais na direção de política monetária e nas condições de liquidez. O balanço entre maturidade do carry trade e a resposta do iene definirá a temperatura do mercado.
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