O preço do petróleo recuou quase 5% após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra, mas analistas destacaram que a recuperação integral ainda é improvável. O Brent fechou em baixa de 4,55% na cotação de US$ 83,36 por barril, em meio a expectativas de normalização de fluxos e estoques.
Embora a notícia tenha trazido alívio inicial, há incertezas sobre o estreito de Hormuz e o comportamento de Israel, fatores que podem manter a volatilidade. Antes do conflito, o petróleo operava próximo de US$ 70, patamar que ainda não deve retornar rapidamente.
A região do Golfo abriga cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados globalmente, e o bloqueio durante o conflito provocou crises de abastecimento que afetaram combustíveis, frete e fertilizantes em várias economias.
Reação do mercado e cenários
Analistas apontam que o preço pode oscilar entre US$ 80 e US$ 90 por barril no médio prazo, condicionando-se à firmeza do acordo e à resposta de Israel. A velocidade do retorno do tráfego no estreito também é crucial, com riscos de minas e de interrupções logísticas.
O avanço na produção de fontes alternativas, como Estados Unidos e Venezuela, contribuiu para estabilizar o mercado, mesmo com o fim do conflito ainda incerto. Segundo a visão de especialistas, a normalização completa levará tempo e pode manter a volatilidade.
Para a indústria, a noticia é vista como positiva para a economia global e para o controle da inflação no Brasil, ainda que haja dúvidas sobre a recuperação de preços aos níveis pré-conflito. Economistas destacam que fatores como o El Niño devem influenciar o preço do petróleo no segundo semestre.
Perspectivas para inflação e consumo
Autorrese desde o Focus, a inflação acumulada nos 12 meses até maio ficou em 4,72%, com projeções de que o IPCA encerre 2026 próximo do teto de 4,5%, embora haja cautela entre analistas sobre a direção dos preços. Especialistas enfatizam que o petróleo não é o único determinante da inflação.
O Itaú BBA revisou suas expectativas, estimando que o petróleo possa ficar em US$ 85 no fim de 2026 e US$ 75 no fim de 2027, sem trazer ainda a certeza de reversão ao patamar anterior à guerra. A projeção ressalta o impacto de fatores geopolíticos e condições climáticas no Oriente Médio.
Economistas destacam que, apesar da sinalização de diminuir a volatilidade, não há garantia de que o petróleo retorne aos níveis de 2020 ou 2021. O mercado permanece atento ao desenrolar do acordo e às respostas de países produtores e consumidores.
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