A corrida por talentos qualificados já chegou ao agronegócio brasileiro. Especialista aponta que o setor depende de entidades públicas e privadas para formar profissionais, enquanto a competição por mão de obra cresce com o avanço tecnológico no campo. A análise destaca risco de déficit se o investimento não aumentar.
Dados apontam que o treinamento no Brasil é menos robusto que em outros mercados. Segundo o Panorama do Treinamento no Brasil 2025/2026, da ABTD, o custo médio por colaborador é de R$ 1.199 ao ano, ante US$ 6.690, na comparação com os EUA. Ninguém do setor comentou o dado publicamente.
O tempo dedicado a capacitação também preocupa. O Brasil oferece 26 horas anuais por trabalhador, frente 21 nos Estados Unidos, o que evidencia mais tempo com menos investimento. A leitura sugere uma capacitação rasa e com efeito limitado na prática profissional.
Contexto do cenário
Pesquisa da FESA Group, publicada em dezembro de 2025, com 56 executivos de companhias acima de R$ 1 bilhão, aponta 15% colocando capacitação como prioridade igual à remuneração competitiva. O dado revela o peso relativo, mas não traduz o investimento efetivo.
Quem sustenta a formação técnica no agro hoje são SENAR, cooperativas e universidades públicas. A infraestrutura associativa e estatal carrega a capacitação de uma cadeia que, segundo CNA/Cepea, projetou R$ 3,79 trilhões de PIB em 2025.
Desafios para a cadeia produtiva
Antes do boom tecnológico, o setor recebia profissionais prontos, com remuneração inferior. Com a pressão de fintechs, agtechs e plataformas digitais, o custo da mão de obra tende a subir. Empresas passaram a contratar talentos já preparados, deslocando o custo de formação para o mercado.
A adoção de maquinário autônomo, software de gestão e sensoriamento remoto exige técnicos com formação prática aprofundada. A atual carga de capacitação não atende à demanda de IA aplicada à lavoura e de biotecnologia de precisão.
Impactos práticos e caminhos
Vagas abertas sinalizam a lacuna entre qualificação disponível e necessidade real. Quando funções migram para operar plataformas de IA, o mercado paga mais por profissionais com conhecimento específico, elevando o custo de reposição.
Aponte-se que o Brasil precisa alinhar custo de capacitação aos padrões de custo operacional de defensivos, fertilizantes, máquinas e energia. Sem isso, a próxima década tecnológica será conduzida por profissionais formados fora do setor.
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