O anúncio de Donald Trump sobre possível fim da guerra com o Irã trouxe alívio inicial, com a promessa de manter aberto o Estreito de Ormuz para a passagem de navios. Região estratégica para petróleo, qualquer interrupção pode pressionar os preços e inflamou a inflação global.
Especialistas alertam que o cenário ainda exige cautela. A economista-chefe Marcela Kawait diz que o conflito pode ter cessado, mas não acabou plenamente, citando 60 dias de cessar-fogo e dúvidas sobre aplicação de tarifas e logística internacional.
Mesmo com a retomada parcial do transporte, a visão é de ajustes nos próximos dois a três meses, até a normalização completa. Temas como o programa nuclear iraniano e conflitos regionais seguem sem resolução definitiva.
Impacto no Copom
No Brasil, a queda da tensão internacional abriu espaço para revisões na política monetária. Economistas sugerem que o Copom pode manter ou acelerar cortes na Selic, após a elevação recente manter a batalha inflacionária sob controle.
Marcela Kawait afirma que o fim da tensão pode alterar o cenário de política monetária, com expectativa de cortes mais suaves ou adicionais dependendo da evolução do acordo. A decisão segue incerta, com necessidade de dados futuros.
Ricardo Rocha, coordenador de finanças do Insper, também aponta plausibilidade de redução de 0,25 ponto percentual, ressaltando que o BC tem margem para agir, mas depende do comunicado do comitê.
Cenário externo e ritmo de inflação
Nos EUA, a percepção de menores riscos inflacionários com petróleo mais estável reduz pressões para novas altas de juros. Entretanto, o Fed acompanhará de perto a evolução do acordo com o Irã e impactos na inflação.
Mercados globais devem ficar sensíveis a movimentos no Estreito de Ormuz, na sinalização do Copom e na trajetória do Federal Reserve. A combinação de geopolítica, energia e política monetária mantém volatilidade moderada no curto prazo.
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