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País vizinho ao Brasil: desemprego na mínima e trabalhadores reduzem jornada

Colômbia reduz jornada para 42 horas semanais; salários sobem, emprego segue estável, mas custos por trabalhador sobem e automação avança

Algumas empresas, como supermercados, passaram a fechar mais cedo na Colômbia — Foto: Jair F. Coll/Bloomberg via Getty Images
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O Brasil acompanha debates sobre jornada de trabalho, mas países vizinhos já implementam mudanças com impacto no mercado de trabalho. Na Colômbia, a semana passou a ter no máximo 42 horas a partir de 15 de julho, após uma trajetória de redução de horas iniciada em 2021.

A reforma efetuada ao longo de cinco anos não tornou obrigatória a folga de dois dias na semana. Junto da redução, houve aumento do salário mínimo e ampliação do pagamento de adicional noturno, sob governo de esquerda. Empreendimentos reportam ajustes como fechamento de lojas mais cedo e mais automação.

Apesar das mudanças, o mercado colombiano continua aquecido. Economista consultado pela BBC News Brasil aponta que custos unitários por trabalhador aumentaram, mas não houve queda relevante no emprego privado; a criação de vagas tem persistido em vários meses.

Diferenças para o Brasil: mais flexibilidade e com escala 6×1

Análise indica que a estabilidade do emprego na Colômbia ocorreu com ajuste gradual, sem obrigatoriedade de folgas fixas. Empresas podem negociar horários flexíveis e escolher o dia de folga semanal, o que ameniza impactos na operação.

Dados de uma avaliação de 787 mil contratações entre 2022 e 2025 sugerem que a redução horária pode estimular novas vagas, embora a produtividade por trabalhador tenha recuado. Setores com horários estendidos foram mais afetados.

Um levantamento da Fenalco envolvendo 610 empresários em 25 cidades indica fechamento de operações noturnas, maior automação e reajustes de preços. Ainda assim, a entidade ressalta que a Colômbia mantém elevada capacidade empreendedora.

O caso chileno

O Chile foi citado para comparar trajetórias: redução de 45 horas para 40 horas entre 2023 e 2028, com transições graduais iniciadas em 2024. Estudos externos avaliam efeitos marginais sobre o emprego, mas apontam melhoria na remuneração por hora.

A mudança chilena é usada para discutir políticas públicas em outros países da região. Autores destacam que ajustes da produção e redistribuição de tarefas ajudaram a evitar demissões maciças durante as transições.

Em contextos internacionais, especialistas ressaltam que reduzir jornada de trabalho pode exigir paciência e planejamento. O consenso é de cautela, acompanhando impactos de custos, contratação e produtividade.

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