A União Europeia enfrenta uma “enxurrada” de produtos chineses e busca evitar uma guerra comercial. O déficit com a China ultrapassou € 30 bilhões em abril, elevando a preocupação entre governos e a futura agenda do Conselho Europeu, em Bruxelas.
Segundo dados da Comissão Europeia, a média diária de importações chinesas mostra o valor agregado ao déficit de mais de € 1 bilhão, pressionando a indústria europeia e gerando debate sobre retaliações comerciais.
Entre as medidas em estudo, está a criação de um mecanismo que excluiria itens específicos dos mercados públicos europeus e restringiria aquisições de empresas europeias por grupos chineses. A França defende um caminho similar a um Artigo 301 europeu, com sobretaxas direcionadas.
Em entrevista, o presidente francês ressaltou a necessidade de medidas de defesa quando a soberania econômica está em jogo, destacando o direito de reagir a práticas comerciais desleais.
Há receio de uma escalada, especialmente depois das sobretaxas de 2024 sobre veículos elétricos chineses, que provocaram retaliação de Pequim em setores como conhaque, suínos e lácteos europeus. O efeito potencial na indústria europeia é tema de discussões.
A dependência da UE de terras raras e outras matérias-primas estratégicas alimenta o debate. Restritivas exportações chinesas no ano passado serviram como alerta para diversificar fontes de abastecimento, segundo autoridades alemãs e líderes da UE.
A Alemanha passa por uma mudança de postura, com o chanceler Friedrich Merz criticando a passividade em relação a parceiros que não respeitam regras de indústria e comércio. Paris observa com cautela, registrando convergência entre os dois países.
Para o bloco, o objetivo é encontrar um equilíbrio entre proteção industrial e continuidade econômica com a China. O comissário do Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou que o objetivo é reequilibrar trocas e restabelecer condições de concorrência.
A composição de posições entre Estados-membros parece favorecer medidas mais firmes, mas a UE teme represálias chinesas. O debate em Bruxelas promete ser intenso, com foco em subsídios, capacidade produtiva e diversificação de cadeia de suprimentos.
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