Ron Josey, analista veterano do Citi, afirma que a corrida das techs não é uma bolha. Em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea, realizada em São Paulo, ele explicou que os fundamentos atuais diferem significativamente dos anos 2000. O briefing ocorreu durante a Citi Brazil Equity Conference.
Para Josey, o debate central dos investidores é o ROI dos investimentos em IA. Empresas como Google, Meta e Amazon gastam somas relevantes este ano e devem continuar nesse ritmo, o que impacta o fluxo de caixa livre global. A demanda real, segundo ele, é essencial para justificar o retorno sobre o capital.
O analista destaca três sinais que acalmaram o mercado no início de 2026. Primeiro, a receita voltou a acelerar, com Google Cloud, AWS e outras unidades apresentando crescimento robusto. Segundo, o backlog de contratos corporativos cresceu significativamente. Terceiro, margens operacionais se mantiveram estáveis ou melhoraram.
Josey aponta números do primeiro trimestre como evidência. A Google Search teve alta de aproximadamente 19% na receita, a Meta superou 33% de crescimento e o segmento de varejo da Amazon apresentou expansão de dígito duplo. Segundo ele, empresas com balanços fortes financiam a transição para IA.
Apesar dos fundamentos positivos, o analista identifica gargalos para a continuidade do rali. O principal entrave é a infraestrutura: capacidade computacional suficiente e fornecimento de componentes. Ele cita que mais disponibilidade de capacidade na Google Cloud ou na AWS elevaria ainda mais o crescimento.
Um caminho estratégico destacado por Josey é a verticalização e a construção de silício próprio. Hiperescaladores vêm investindo em chips proprietários, como TPUs, Trainium e o ecossistema Gemini do Google, reduzindo a dependência da Nvidia, que dominou o fornecimento nos últimos anos.
Sobre o futuro da internet, o analista prevê mudanças profundas na interface de uso. Protocolos abertos e dispositivos conectados devem permitir interações mais diretas com IA, sem abrir múltiplos apps. Wearables devem reduzir a dependência de telas, com avanços em óculos inteligentes e interfaces que projetam informações no ambiente.
No cenário de quatro ou cinco anos, Josey destaca que a experiência do usuário pode incluir comandos simples a agentes de IA para ações cotidianas, como reservar serviços, com automação integrada entre plataformas. Ele vê um ecossistema cada vez mais interligado, com melhoria na eficiência e nas capacidades de consumo.
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