Era concluído um mergulho técnico em vinhos da Provence quando Éric de Saint-Victor levantou a voz: o rosé sujeito a críticas pela cor não refletia o estilo desejado pela Château de Pibarnon, em Bandol. O debate girou em torno da identidade do rosé de gastronomie.
Os vinhos apresentados durante a degustação provocaram uma reflexão entre a equipe técnica. A ideia era não ceder à busca por colorações claras, mas manter a firmeza, a salinidade e a vivacidade do mourvèdre, principal a 95% da composição.
Inspiração e método
A inspiração veio das Riceys, na Champagne, com um rosé feito por maceração pelicular prolongada. A prática, porém, foi adaptada para Bandol, com 15 horas de maceração a frio para extrair personalidade sem perder amargor final.
A decisão foi seguir com o mourvèdre, buscando salivação e vitalidade, em vez de aromas excessivos. A produção envolveu jarros de grês Clayver importados, mantendo a porosidade necessária para o silenciamento dos taninos.
Processo e lançamento
Os frutos são colhidos ao amanhecer numa parcela de altitude, Le col de Bel Air, e amadurecem em jarra durante nove meses. A condução evita bâttonnage pesado para manter a amargura que prolonga o final do vinho.
A bebida ficou em foudre Stockinger apenas de início, mas o projeto migraria para jarros Clayver, com elevado controle de porosidade. A primeira fase de engarrafamento ocorreu 2,5 anos após a vinificação.
Primeiro millésime e recepção
O primeiro ano comercial foi o de 2014. O resultado agradou entre especialistas, ainda que a aceitação maciça tenha demorado. Os americanos, em particular, se destacaram pela apreciação da amplitude e da longevidade, sem agressividade.
Hoje, Nuances é visto como um rosé de gastronomia com personalidade marcante, divergindo de padrões comerciais. O enólogo acredita que o projeto não seria único, apostando que a cuvée se repetiria com consistência.
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