O Uzbequistão, na Ásia Central, atingiu exportações de algodão que somam US$ 2,3 bilhões em 2025. O país, sem saída para o mar, tem o algodão como destaque da pauta têxtil, impulsionado por uma mudança institucional e de políticas públicas.
Localizado entre os rios Syr Darya e Amu Darya, o Uzbequistão é o sétimo maior produtor mundial de algodão. O território é majoritariamente desértico, com clima árido e cerca de 200 mm de chuva anuais. A população local é estimada em 37,7 milhões de habitantes em 2026.
Ainda sob um governo autoritário, presidido por Shavkat Mirziyoyev desde 2016, o Uzbequistão iniciou uma guinada para reduzir o uso de trabalhos forçados na colheita. A transformação começou após o boicote internacional ao algodão, travado pela Cotton Campaign.
Algodão: o ouro branco do país
Em 2025, as exportações têxteis (incluindo roupas, fios, tecidos e tapetes) emergiram como motor econômico, segundo o Comitê Nacional de Estatísticas. Nos primeiros quatro meses de 2026, foram registrados US$ 454,5 milhões em receitas, indicando continuidade da demanda global.
A Cotton Campaign encampou a pressão para acabar com o trabalho forçado, e a OIT avaliou, em 2021, que não havia mais uso de trabalho forçado no setor algodoeiro. A meta foi alcançar produtividade com padrões de trabalho decentes.
O governo anterior, sob Islam Karimov, enfrentava críticas de pobreza e violência. Em 2007, estima-se que mais de dois milhões de pessoas, incluindo crianças, eram forçadas a colher algodão, o que levou a ações internacionais.
Desde 2017, com a chegada de Mirziyoyev, o governo implementou monitoramento da OIT, tirou o controle estatal da produção e abriu os clusters têxteis, conectando plantio, fabrico e varejo.
A pauta exportadora evoluiu de venda de matéria-prima para itens industrializados. Em 2022, o setor registrou US$ 2,9 bilhões; em 2023, US$ 3,05 bilhões; e em 2024, US$ 2,9 bilhões, conforme dados oficiais.
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