Em novembro de 2010, o Banco Panamericano, controlado por Silvio Santos, foi alvo de denúncias de fraudes contábeis. A intervenção envolveu empréstimos do FGC e apoio da Caixa para salvar a instituição. Dez anos depois, outra instituição ligada a um dono de emissora de TV volta ao centro de controvérsias financeiras.
O Digimais, banco ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e à Record TV, volta a ser alvo de investigações. A PF realizou operação hoje para investigar fraudes no sistema financeiro e bloqueou bens ligados ao Digimais, em ação que aumenta a tensão sobre a instituição e seus controladores.
A operação ocorre em meio a negociações de venda. O BTG Pactual tem acordo preliminar para comprar o Digimais, anunciado em abril, sujeito a diligência contábil e à aprovação do FGC. A possibilidade de aporte depende de condições prévias e de avaliação de riscos.
O BTG já atuou, no passado, como comprador de bancos falidos e credores de créditos podres. Em 2013, adquiriu o Bamerindus; em 2024, comprou o Nacional. A iniciativa do BTG depende de apoio regulatório e de uma avaliação detalhada do balanço do Digimais.
Do lado do Digimais, o balanço de 2025 indica lucro de cerca de 31 milhões de reais, com índice de Basileia estimado em 13,49% após um aumento de capital de 250 milhões de reais autorizado pelo BC. A gestão atribui o resultado a uma venda de cotas do fundo Hermon à controladora BA Empreendimentos.
A auditoria da CLA Brasil emitiu parecer com ressalvas sobre a operação de venda de ativos do Digimais ao grupo controlador, destacando que a transação pode não refletir condições de mercado usuais e depende de aportes dos controladores. A nota reforça complexidade contábil da operação.
A posição de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e proprietário da Record, é relevante para o cenário. A influência dele no meio político e midiático levanta questões sobre o impacto de uma intervenção no Digimais durante o período eleitoral.
A investigação e as operações da PF não indicam, por si, o fechamento do negócio com o BTG. No entanto, o andamento das diligências, a necessidade de avaliações regulatórias e a eventual liberação de recursos do FGC podem atrasar ou modificar o acordo.
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