A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem para desarticular um esquema fraudulento no Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo, fundador da IURD. A operação ocorre na manhã desta terça-feira (23) em São Paulo, com o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. Ao todo, mais de 50 agentes participam.
Macedo aparece como investigado por ser proprietário do banco. A ação envolve o afastamento de sigilos bancário e fiscal, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 670.348.945,70.
Relatórios do Banco Central indicaram irregularidades graves na condução dos negócios pelos administradores. O inquérito aponta manipulação de balanços para ocultar a real situação econômico-financeira e apresentar solvência aos órgãos de controle.
O esquema, segundo as investigações, envolvia supervalorização de ativos e geração artificial de receitas de centenas de milhões de reais. Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos e operações de crédito vedadas.
Contexto do Digimais
O Digimais foi criado em 1981 em Porto Alegre como Banco Renner e mudou de controle até virar banco digital em 2020. Nessa época, Edir Macedo passou a deter o controle integral da instituição.
Em 2025, Macedo transferiu o controle ao empresário Maurício Quadrado, integrante do grupo BlueBank, que chegou a desistir do negócio por dificuldades do mercado. O Cade já tinha aprovado a mudança de controle.
Em abril, o BTG Pactual, liderado por André Esteves, informou acordo para comprar o Digimais. A conclusão dependia de propostas concorrentes e das aprovações regulatórias, incluindo BC e Cade. A transação não foi finalizada.
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