A inadimplência no aluguel no Brasil voltou a subir em maio, segundo levantamento da Superlógica. O índice de atraso chegou a 3,22% entre contratos de locação, após recuar em abril. O avanço atinge principalmente imóveis de até R$ 1 mil mensais, tanto residenciais quanto comerciais, sinalizando pressão do orçamento familiar e das pequenas empresas.
A explicação comum é a combinação de juros elevados, crédito mais caro e orçamento familiar pressionado. Mesmo com a alta mensal, a taxa ficou abaixo do patamar de maio de 2025, quando atingiu 3,33%. A leitura aponta para uma possível continuidade de sensibilidade ao custo do crédito e à renda disponível.
Imóveis populares lideram atrasos
Nos contratos residenciais de até R$ 1 mil, a inadimplência subiu de 5,56% para 6,31% em maio. Nos imóveis comerciais dentro dessa faixa, a taxa saltou para 7,6%, ante 7% em abril. A Superlógica aponta que famílias de menor renda são as mais impactadas pelo aumento do custo de vida.
Faixa alta também preocupa
Para imóveis residenciais com aluguel acima de R$ 13 mil, o índice passou de 4,52% para 6,16% em um mês. Nos contratos comerciais nessa faixa, o aumento foi de 4,43% para 4,9%. O grupo costuma concentrar empresários e profissionais liberais, cuja renda pode não acompanhar o ritmo de queda da atividade econômica.
Casas e imóveis comerciais registram piora
Entre tipos de imóvel, as casas tiveram maior alta, de 3,31% para 3,69%. Apartamentos subiram de 2,11% para 2,35%. Os imóveis comerciais continuaram com a maior inadimplência, em 4,39%, frente a 4,21% de abril. O resultado preocupa o segmento de pequenos negócios e prestadores de serviço.
Nordeste lidera ranking
Regionalmente, o Nordeste manteve a liderança, com 5,39% em maio, alta de 0,41 ponto percentual frente a abril. Norte ficou em 4,38% e Sudeste, 3,15%. O Sul apresentou o menor índice, em 2,67%, ainda com leve alta.
Sinal de atenção
Especialistas destacam que a trajetória dos juros, da inflação e da atividade econômica deve orientar os próximos meses. A queda ou estabilidade da capacidade de pagamento ainda não indica deterioração, mas o movimento simultâneo entre faixas de renda sugere pressão generalizada.
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