Os trabalhadores da Hyundai na Coreia do Sul aprovaram uma greve para contestar a proposta de introduzir robôs humanoides na linha de montagem. A decisão foi comunicada pela seção sindical local, ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos Coreanos, e publicada pelo Financial Times.
A aprovação ocorreu com o apoio de 87% dos 39.668 sindicalizados. Caso o comitê estadual de relações trabalhistas suspenda a mediação, a greve passa a ter validade legal, com definição sobre o andamento na quinta-feira seguinte, dia 25 de junho.
A paralisação surge após a Hyundai anunciar planos de implantar Atlas, robô humanoide criado pela subsidiária Boston Dynamics, em fábricas nos EUA. O sindicato aponta impasse nas negociações salariais, que já completaram 11 rodadas desde maio, segundo a imprensa local.
O sindicato apresenta propostas para ampliar a participação dos trabalhadores na decisão sobre IA e automação, além de reivindicar reajustes salariais e ajustes de aposentadoria. Entre as demandas estão: participação na implementação de IA, aposentadoria aos 65 anos, aumento do salário-base e bônus de acordo com o lucro líquido.
A Hyundai trabalha a inserção de robôs como parte de um programa de automação industrial. Em fevereiro, a empresa anunciou a meta de produzir cerca de 30 mil robôs humanoides por ano entre 2026 e 2028, para ampliar produtividade e eficiência.
O sindicato informou que nenhum robô com novas tecnologias deverá operar no ambiente de produção sem um acordo firmado entre as partes. A direção da Hyundai afirmou que a automação busca recuperar perdas financeiras recentes.
A justificativa da montadora aponta como objetivo reverter a queda no lucro líquido, que se aprofundou após tarifas sobre veículos e peças importadas. No segundo trimestre de 2025, o grupo registrou lucro operacional de 3,6 trilhões de wons, frente ao mesmo período anterior, queda de 16%.
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