A Wave Lithium, ligada à holding New Wave, trabalha em um projeto para transformar o espodumênio em hidróxido e carbonato de lítio, materiais-chave para baterias de veículos elétricos e dispositivos. A intenção é processar o minério no Brasil com padrões da indústria.
O foco é obter lítio grau bateria com custo competitivo. Hoje, a maior parte do refino global fica na China, país que domina a cadeia desde a mineração até a fabricação de baterias, elevando barreiras para produtores recebendo energia e tecnologia.
A planta piloto está sendo montada em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, com investimento previsto de 25 milhões de reais. A tecnologia empregada envolve decrepitação e sulfatação por micro-ondas, em uma unidade de demonstração.
Tecnologia e estágio atual
A demonstração terá capacidade de processar 4 toneladas por hora de concentrado de espodumênio. A unidade funcionará com minério adquirido de empresas do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, área conhecida como Vale do Lítio.
A planta de demonstração poderá alimentar 20 mil toneladas de minério com teores entre 5% e 6% de espodumênio. A região já abriga projetos de lítio e empresas como CBL e Sigma Lithium em produção.
A expectativa de Gustavo Emina, sócio e CEO da New Wave, é reduzir o custo de refino pela metade em relação aos padrões chineses, que hoje representam 94% do refino. O custo de capital atual na China fica próximo de US$ 6 mil por tonelada.
Perspectivas econômicas e produção futura
Projeta-se que a Wave Lithium, a partir da planta piloto, alcance em 2027 uma unidade industrial com 250 mil toneladas por ano de concentrado e mais de 30 mil toneladas de LCE. O objetivo é manter o custo em torno de US$ 1,8 mil por tonelada.
A companhia já conversa com potenciais investidores para viabilizar o projeto. Em geral, refinos de lítio em plantas greenfield demandam no mínimo 25 mil toneladas de capacidade para serem competitivos no mercado.
A empresa defende que operar próximo à matéria-prima reduz custos e impactos logísticos. A visão é de que, no futuro, até 80% das operações de lítio sejam integradas, da exploração ao refino, como já ocorre em grandes plantas em outros países.
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