O retrofit ganha espaço em São Paulo e no Rio de Janeiro, com ampliação de áreas beneficiadas e novos incentivos fiscais. O objetivo é modernizar prédios antigos sem perder a identidade de cada imóvel. A tendência envolve habitação de interesse social e de mercado popular.
Em São Paulo, a lei Programa Requalifica Centro impulsiona intervenções desde 2021. Inicialmente atuava na Sé, República e Brás; neste ano, cidades como Bom Retiro, Pari, Bela Vista, Santa Cecília e Liberdade passaram a integrar o programa. Benefícios incluem subvenção de até 25% do custo das obras para HIS e HMP.
Também em SP, a prefeitura estima investir até 1 bilhão de reais na produção de unidades habitacionais na região central. Recursos são destinados majoritariamente a famílias com renda de até três e até seis salários mínimos, além de parcela para faixas de renda mais altas. OIT e impostos reduzem impacto financeiro conforme o avanço dos projetos.
Novos parâmetros de atuação
A prefeitura mantém um segundo programa voltado a imóveis instalados até 1992 na região central. Atualmente, 49 edifícios estão em processo de requalificação urbana. Entre 2023 e 2025 foram lançados três editais com aporte total de 400 milhões de reais.
A somauma, incorporadora e construtora, atua em retrofit de imóveis como o Virgínia, na Consolação, e o Edifício Tebas, no centro histórico. O arquiteto e sócio Marcelo Falcão afirma que o valor do prédio já está incorporado ao mercado, mesmo com desgaste.
A Caixa Econômica Federal confirmou presença no setor com linha de crédito específica para retrofit. O programa, dentro do financiamento à construção, não concorre com iniciativas municipais e facilita projetos em outras regiões do país.
Desafios e perspectivas de mercado
Segundo Kleber Sobrinho, da Recon Retrofit, o retrofit está ligado a políticas públicas de readensamento das áreas centrais. Ele aponta que edifícios subutilizados costumam situar-se próximo de infraestrutura de transportes, empregos e serviços, mas persistem custos de venda mais altos.
O empresário também alerta para dificuldades, como a necessidade de adequar o tamanho das unidades. Em muitas situações, projetos com unidades menores, como studios, tornam-se mais viáveis economicamente que espaços maiores.
Outros agentes destacam fatores de atração para compradores, como a combinação entre infraestrutura existente e estética de época. Profissionais do setor ressaltam que a valorização dependerá do equilíbrio entre reforma de infraestrutura e acabamento dos imóveis.
Juliê de Mattos atua na regularização de imóveis desatualizados. Ela ressalta que modernizar sem perder a essência histórica pode ampliar o valor dos edifícios, especialmente em áreas próximas à Avenida Paulista, Jardins e Itaim Bibi.
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