Para os investigadores, o caso Digimais reforça a necessidade de fechar brechas que facilitam crimes financeiros. A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem na terça-feira 23 para apurar supostas fraudes no banco Digimais, controlado por Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono do Grupo Record. O objetivo é entender possível desvio de recursos e uso irregular de ativos.
A instituição integra os negócios do grupo desde 2013, quando a Record passou a deter 100% do banco Renner, rebatizado como Digimais. Em 2020, o banco passou a operar integralmente sob a gestão de João Urbaneja, aliado de Macedo, ampliando sua carteira de crédito com foco em veículos.
Desdobramentos regulatórios
A PF aponta que o Digimais adotou práticas financeiras temerárias para sustentar o crescimento, incluindo uso de fundos de direito creditório. Investigações indicam superfaturamento de recebíveis ligados a FIDCs, com tentativas de inflar o patrimônio para captar mais recursos pelo mercado de CDBs.
O Banco Central detectou irregularidades em 2023, exigindo ajustes na valoração de ativos de fundos e posteriormente coordenando a venda do banco para reduzir riscos. Em 2025, houve acordo para venda das cotas do Hermon, com pagamento previsto para 2032, mantendo a contabilização de recebíveis no balanço.
Cenário atual e impactos
Estimativas sobre o rombo do Digimais variam entre 3,5 bilhões e 10 bilhões de reais, dependendo da avaliação de ativos e de operações de financiamento. A possível liquidação do banco ampliaria o peso financeiro sobre o Fundo Garantidor de Créditos, conforme apurado por autoridades.
Antes da crise, medidas foram anunciadas para endurecer regras de cálculo de ativos lastro e ampliar detalhamento das carteiras a partir de novembro. Especialistas destacam a necessidade de maior integração entre BC e CVM para evitar abusos em fundos de investimento.
Perspectivas e controle
Analistas ressaltam a importância de dividir riscos entre clientes e instituições, para desencorajar CDBs com retornos abusivos. O objetivo é aprimorar a regulamentação e a fiscalização para evitar novos casos de crimes financeiros movidos pela ganância, garantindo maior transparência do mercado.
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