Às vésperas do anúncio do Plano Safra 2026/27, previsto para hoje, o analista Eric Emiliano, da LEK Consulting, aponta que as taxas de juros devem permanecer em patamar elevado. A leitura é de que o setor enfrenta condições financeiras difíceis e que o orçamento do governo limita quedas expressivas.
Segundo Emiliano, o endividamento dos produtores impede redução rápida das taxas. A inadimplência de bancos está acima de 15% da carteira em alguns casos, próximo de 20%. O cenário reforça a necessidade de fontes de financiamento alternativas dentro do agronegócio.
Apesar da importância do Plano Safra, o analista afirma que ele não atende sozinho às necessidades do setor. Bancos, cooperativas, tradings e o mercado de capitais ganham espaço para complementar o crédito rural.
A explicação é de que o Plano Safra, ainda em crescimento, não cobre todas as demandas da produção. Instrumentos privados, como LCAs, Fiagros e CPRs, ganham relevância para financiar custeio e investimento, segundo a avaliação da consultoria.
Emiliano cita o aumento relevante da participação das cooperativas no financiamento rural. A projeção da LEK Consulting é de que esse elo represente 15% do PIB do agronegócio nas últimas safras, ante cerca de 8% no passado.
A proximidade das cooperativas com os produtores e a capacidade de resposta rápida em crises ajudam a elevar esse papel. O analista ressalta que o custeio atual em carga de financiamento está aumentando mais rápido que os investimentos.
Ainda segundo a análise, a fatia destinada ao custeio em relação aos investimentos é um sinal amarelo para o planejamento de longo prazo. A redução do espaço para investimentos pode comprometer o planejamento plurianual da atividade agropecuária.
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