O desempenho da indústria brasileira no primeiro quadrimestre de 2026 ficou aquém das expectativas, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). A sondagem ouviu 271 empresas de 24 estados entre 4 e 18 de maio. O resultado aponta que 51,7% dos empresários julgam que o desempenho ficou abaixo do previsto para o período.
Quase 74% das empresas afirmaram que as condições da economia influenciaram negativamente seus negócios no 1º quadrimestre. Em contrapartida, 38% disseram que as condições internas não tiveram impacto negativo relevante. O levantamento também mostra queda de pedidos em carteira para 53,2% das firmas.
O que pressionou o setor foi a demanda doméstica mais fraca, observada por 57,2% dos entrevistados. Entre os motivos citados, estão aumento de custos, obsolescência de máquinas, concorrência de importados e alto endividamento. Ainda assim, parte das empresas mencionou avanços tecnológicos e maior automação como impulso pontual.
Desempenho versus produção industrial
Conforme dados do IBGE, a produção física da indústria avançou 4,4% no período, ainda que tenha recuado no mês de maio frente a abril, registrando queda de 0,2%. A CNI destaca que esse viés de alta não foi sentido pela maioria das empresas contatadas.
Para o futuro, a visão entre as empresas permanece cautelosa. 37,4% consideram cedo para avaliar o impacto no ano; 30,4% projetam avanço parcialmente sustentado, com riscos; 15,5% veem continuidade do crescimento; 9,8% enxergam apenas recuperação pontual.
Perspectivas e fatores
Entre os elementos citados, a guerra no Oriente Médio elevou custos e contribuiu para a pressão inflacionária. A obsolescência de equipamentos e a dificuldade de competir com importados também aparecem como entraves, segundo a consultoria da CNI. A maioria dos respondentes não observou impulso claro na atividade no início do ano.
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