A meta do governo de realizar 13 leilões rodoviários em 2026 enfrenta atrasos significativos. Até o momento, apenas dois certames foram realizados e um terceiro tem data definida para o final de julho, a otimização da concessão da Régis Bittencourt. O restante deve ficar para o segundo semestre, ampliando a pressão sobre os órgãos reguladores.
Especialistas apontam que o ritmo atual dificulta o cumprimento do calendário previsto, sobretudo em ano eleitoral. A análise aponta necessidade de maior volume de estrutura de apoio, orçamento e pessoal para a ANTT, além de observações sobre etapas técnicas e controle envolvidas no processo.
Desafios estruturais
O advogado Rafael Duarte Silva, do Bento Muniz Advocacia, estima que, após os leilões deste ano, haverá 54 contratos vigentes e um aumento de cerca de 30% na quilometragem concedida. Ele defende reforçar orçamento e equipe da ANTT para viabilizar as concessões.
Silva ressalta que a estruturação de cada leilão envolve múltiplas etapas técnicas. A combinação de atividades técnicas e de contencioso ajuda a explicar o atraso entre a definição dos projetos e a sua efetiva conclusão, segundo o especialista.
Capacidade institucional e judicialização
Guilherme Sampaio, diretor-geral da ANTT, reconhece déficit de aproximadamente 40% no quadro de pessoal. A agência atua com alto volume de projetos, o que pode retardar cronogramas. A judicialização de contratos também pesa sobre a atuação regulatória, diz o dirigente.
Para ele, atrasos também ocorreram na conclusão de estudos de viabilidade e em audiências públicas, especialmente no Sul. Santa Catarina e Rio Grande do Sul costumam apresentar maior participação de propostas, o que demanda tempo adicional para análise.
Perspectivas do mercado e etapas futuras
Antonio Henrique Medeiros Coutinho, sócio de um escritório de advocacia, afirma que cumprir a agenda de 11 leilões no segundo semestre seria um feito inédito. O mercado mantém apetite, mas aumenta a seletividade dos investidores.
Apesar das dúvidas, o setor aponta um pipeline robusto, com projetos como Rota do Pequi, Rota Agro Central e outros já em tramitação. Alguns editais aguardam deliberação do TCU para publicação, enquanto outros devem seguir para audiência pública ou envio à Corte.
Olhar estratégico do governo
O Ministério dos Transportes e a ANTT defendem que o calendário pode avançar mesmo em ano eleitoral. A secretária de Transporte Rodoviário, Viviane Esse, afirma que 13 leilões em 2026 é viável e que a maior oferta de projetos atrai investidores, ampliando a participação por leilão.
Ela destaca que, mesmo que algum projeto seja transferido para 2027, a carteira de concessões permanece estável, reforçando que as concessões são políticas de Estado e não de governo. O objetivo é manter o ritmo sem abrir mão de qualidade técnica.
Entre na conversa da comunidade