A B3 registrou saída líquida de capital externo na Bolsa pelo segundo mês consecutivo, em junho, com especialistas apontando fatores externos e internos. Os estrangeiros retiraram 7,785 bilhões de reais, reduzindo o saldo positivo de 2026 para 33,847 bilhões. Mesmo assim, o montante é 26% superior ao do primeiro semestre do ano anterior.
O movimento é influenciado por cenários globais e locais. Internacionalmente, a escalada de negociações sobre o fim da guerra no Irã reacende o interesse por mercados asiáticos e por ativos de tecnologia e IA, principalmente na Coreia do Sul e em Taiwan.
Fatores internacionais e tecnologia
Segundo analistas, a rotação de fluxos de ações de valor para crescimento pesa na saída. Empresas de tecnologia e setores com maior potencial de inovação tendem a atrair menos capital quando o apelo de crescimento é menor.
O Ibovespa, com grande peso de commodities, recuou 1,1% em junho, pressionado pela queda de cerca de 20% do petróleo. O mercado registrou a maior queda trimestral de preços da commodity desde 2020, após o cessar-fogo entre EUA e Irã.
Perspectivas de juros e cenário local
No Brasil, as atenções se voltam para a política monetária. A ata do Copom sinalizou possibilidade de manter a taxa de juros estável, reduzindo as expectativas de corte no curto prazo. Esse cenário influencia a percepção de retorno de investimentos no país.
Analistas destacam ainda que o ambiente de juros mais alto no exterior e possíveis surpresas inflacionárias locais devem manter o ritmo de fluxos externo moderado. Há expectativa de recuperação de capital estrangeiro no segundo semestre, porém sem voltar aos patamares de abril.
Cenários e avaliações
O Citi aponta que o Brasil apresenta um prêmio de valor atraente frente a mercados desenvolvidos, com múltiplo de preço sobre lucro entre os mais baixos entre grandes economias. Ainda assim, a normalização do petróleo e a continuidade de ajustes monetários devem impor cautela.
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