O programa Desenrola, em sua nova versão voltada a inadimplentes com atraso de até 90 dias, egressos do Fies, trabalhadores informais e microempreendedores, recebeu críticas do economista Sérgio Vale, chefe da MB Associados. A avaliação é de que a medida favorece o atraso e contraria a política monetária vigente no país.
Vale aponta dois problemas centrais. Primeiro, o custo é em grande parte parafiscal, com uso de fundos como o FGTS e o FGO, o que ele vê como uma expansão de atuação do governo similar a operações de bancos públicos. Segundo, o risco moral: quem atrasa pagamentos poderia receber juros menores, diminuindo o incentivo ao pagamento em dia.
Para o economista, o caminho adequado seria atacar as causas estruturais do spread bancário, em vez de oferecer soluções de curto prazo. Ele reclama que o Desenrola incentiva consumo em desacordo com a curva de aperto monetário.
Vale também afirma que o programa vai na contramão da política monetária, já que o Banco Central busca desacelerar o crédito e conter a inflação. O consumo vem se acelerando trimestre a trimestre, o que dificulta o efeito desejado da política.
Outro ponto destacado envolve a participação dos bancos privados. A Febraban sinalizou possível adesão limitada, o que pode privilegiar bancos públicos, observa o economista. Alega ainda que, diferentemente da versão anterior, o novo Desenrola oferece menos incentivo aos bancos privados.
Sobre o BC, Vale defende uma comunicação mais explícita sobre os impactos das políticas fiscais e parafiscais do governo. Ele afirma que subsídios elevados mantêm juros e o spread altos, prejudicando o consumidor no longo prazo.
Conclui que a atual medida é de curto prazo e voltada a ganhos eleitorais, conforme a leitura do economista. O texto citado não representa uma declaração do banco ou do governo, apenas a avaliação de especialistas. Fontes: Cobertura de veículos nacionais sobre o tema.
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