O instituto Citi revisou suas perspectivas para o Brasil como destino de carry trade, diante da nova percepção de risco e da desancoragem das expectativas de inflação. A visão aponta que a dinâmica de investimentos em emergentes se tornou mais complexa para o segundo semestre.
Johanna Chua, head de Research para Emerging Markets do Citi, afirma que o cenário atual reduz a atratividade tradicional do Brasil. A combinação de maior risco geopolítico, juros mais elevados por mais tempo e o impulso de IA muda o eixo de fluxos para mercados com narrativa tecnológica mais forte.
Entre 2025 e 2026, o apetite por ativos emergentes passou por uma reorientação: houve período de dólar mais fraco e rotação global de capitais, seguido por maior atenção aos EUA com balanços fortes. Hoje, esse equilíbrio é menos favorável a teses generalistas de carry trade.
Brasil fica menos exposto a IA e à IA-impulsionada demanda global
Chua aponta que países com exposição explícita à IA ganham posição diante dos demais. O Brasil, com histórico mais fraco em tecnologia e incertezas na inflação, pode ficar fora dos grupos mais beneficiados pela nova onda de investimentos em tecnologia e IA.
Ainda segundo a executiva, para manter o interesse de investidores internacionais seria necessário reduzir a distância entre as teses de IA e o cenário doméstico, incluindo o ritmo de queda da inflação e a confiança na condução da política de juros.
Prospectivas e próximos passos para o câmbio de fluxos
A executiva destaca que o Brasil já foi um destino atrativo para carry trade pela combinação de juros altos e melhoria dos termos de troca. Parte dessa vantagem, segundo ela, perdeu fôlego com o novo cenário global.
Caso o risco geopolítico se reduza e se mantenha a percepção de que o Fed pode adotar uma postura menos agressiva, o apetite por ativos de risco poderia se ampliar novamente. Nessa linha, a seletividade das teses de investimento emergentes tende a aumentar.
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