A menos de dez dias do prazo para os EUA anunciarem se vão impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o governo de Lula trabalha para evitar o tarifaço. A estratégia envolve nova reunião com o representante comercial americano e a oferta de cortes de alíquotas em setores dominados pelos EUA, como máquinas, equipamentos da saúde e tecnologia da informação. O objetivo é impedir a sanção e manter o comércio bilateral estável.
A equipe brasileira aposta na cooperação para conter o impacto econômico. O governo apresentou ao Escritório de Comércio dos EUA (USTR) um plano, considerado o principal trunfo, que propõe reduções de tarifas para setores sensíveis. A ideia é demonstrar reciprocidade e reduzir custos para empresas brasileiras e clientes norte-americanos.
Contexto da negociação
Um documento enviado ao USTR detalha o que o Brasil chama de mapa do caminho, com propostas sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O Pix não faz parte do debate, segundo avaliação oficial, pois não há condições de discutir meios de pagamento digitais.
Próximos passos e controles
Marcio Elias Rosa, ministro da Indústria e Comércio, deve se reunir virtualmente com Jamieson Greer nos próximos dias. A última conversa entre eles ocorreu na quinta-feira anterior. Enquanto isso, a audiência da USTR, ainda sem participação brasileira, terá representantes do setor privado defendendo o adiamento do tarifaço até após as eleições.
Reações e impactos
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já pediu o adiamento do tarifaço em carta enviada à administração Trump e deverá defender a posição na audiência. Representantes de empresas brasileiras argumentam que a taxação elevaria custos e reduziria investimentos, empregos e demanda no mercado americano. O governo brasileiro, por sua vez, busca preservar o comércio e evitar retaliações.
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