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Dívida pública brasileira pode chegar a 100% do PIB até 2035

Segundo estudo da Câmara, governo eleito terá até abril de 2027 para propor soluções que reduzam "fadiga fiscal"

Vista aérea de Brasília mostrando o Congresso Nacional ao fundo, com prédios anexos, espelhos d'água e a Esplanada dos Ministérios em primeiro plano.
Vista aérea mostra a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional, em Brasília. Crédito: Reprodução/Agência Senado

A dívida pública federal deve ultrapassar 100% do PIB entre 2032 e 2035. A projeção contraria as estimativas do atual governo, que apontam queda a partir de 2029. Em maio, a dívida somava 81,1% do PIB. As informações são de um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados. O levantamento descreve um cenário […]

A dívida pública federal deve ultrapassar 100% do PIB entre 2032 e 2035. A projeção contraria as estimativas do atual governo, que apontam queda a partir de 2029. Em maio, a dívida somava 81,1% do PIB. As informações são de um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados.

O levantamento descreve um cenário de “fadiga fiscal”, que ocorre quando o país perde gradualmente a capacidade de estabilizar o crescimento da dívida por meio da geração de superávit primário. De acordo com a análise, isso acontece porque há limites tanto para o aumento da tributação quanto para o corte de despesas correntes.

“O Brasil, ao que parece, já opera em uma região de resistência para novos aumentos de carga tributária, e o gasto público tenderá a ser constantemente pressionado nos anos futuros, em decorrência da transição demográfica em curso no país”, afirma o consultor Paulo Bijos, autor do estudo.

O trabalho também buscou definir qual seria o limite de endividamento considerado seguro para o país. Uma pesquisa de 2025 citada pelo consultor analisou 172 países e encontrou tetos de sustentabilidade de 124% do PIB para nações desenvolvidas, 76% para emergentes e 57% para países de baixa renda. No caso brasileiro, o limite calculado para 2024 seria de 103,3% do PIB.

Para estabilizar a dívida no patamar atual, próximo de 80% do PIB, Bijos calcula que seria necessário um ajuste fiscal de R$ 330 bilhões por ano. O montante supera o total de despesas não obrigatórias previsto no Orçamento de 2026, que gira em torno de R$ 240 bilhões.

Prazo para novas reformas

Bijos defende que o governo adote uma postura preventiva, evitando levar a dívida pública para perto dos limites identificados. Segundo o estudo, o próximo governo eleito terá até 15 de abril de 2027 para apresentar soluções estruturais para o quadro fiscal, prazo para o envio do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2028. O levantamento ainda conclui que, por causa do período eleitoral, a discussão sobre novas reformas deve ficar para o fim deste ano.

Dívida global chega a 305% do PIB

O desafio fiscal brasileiro, no entanto, não é um caso isolado. A dívida global atingiu um novo recorde no primeiro trimestre de 2026 e chegou perto de US$ 353 trilhões, impulsionada principalmente pelo endividamento dos Estados Unidos e da China. O valor é equivalente a 305% do PIB mundial, o que significa que a dívida acumulada por governos, empresas e famílias em todo o planeta é cerca de três vezes maior que tudo o que o mundo produz em um ano. As informações são da Bloomberg Línea.

O levantamento, feito pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF), mostra que o endividamento global cresceu pelo quinto trimestre seguido, com alta de mais de US$ 4,4 trilhões apenas nos três primeiros meses deste ano. O relatório aponta ainda que os países mais ricos vêm reduzindo aos poucos seus níveis de endividamento, enquanto as economias emergentes seguem na direção contrária, pressionadas por gastos públicos mais altos e custos de financiamento mais elevados.

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