A marca de fast-fashion Shein levantou US$ 1,7 bilhão com sua oferta pública inicial de ações (IPO) no mercado asiático, através da Bolsa de Hong Kong e passou a ser avaliada em aproximadamente US$ 26,3 bilhões, segundo informações divulgadas pela companhia nesta segunda-feira (31). Conhecida pelos preços extremamente baixos e pela produção acelerada de roupas, […]
A marca de fast-fashion Shein levantou US$ 1,7 bilhão com sua oferta pública inicial de ações (IPO) no mercado asiático, através da Bolsa de Hong Kong e passou a ser avaliada em aproximadamente US$ 26,3 bilhões, segundo informações divulgadas pela companhia nesta segunda-feira (31).
Conhecida pelos preços extremamente baixos e pela produção acelerada de roupas, a gigante fundada na China realizou sua oferta de ações no centro financeiro asiático depois que os planos de abrir capital em Nova York e Londres foram frustrados em meio ao escrutínio de órgãos reguladores.
A varejista online colocou no mercado 280 milhões de ações, ao preço de HK$ 48,56 por ação, informou a Shein em documento enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong. O valor ficou abaixo do preço máximo anunciado para a oferta, de HK$ 49,50.
A plataforma ganhou popularidade durante a pandemia de Covid-19 e conquistou espaço no mercado global de fast-fashion ao atrair consumidores jovens por meio das redes sociais.
A empresa, porém, enfrenta agora uma desaceleração do crescimento e uma pressão regulatória cada vez maior na Europa e nos Estados Unidos, seus maiores mercados.
A avaliação de US$ 26,3 bilhões está muito abaixo dos US$ 98,2 bilhões atribuídos à companhia durante rodadas privadas de captação de recursos em 2022.
Riscos geopolíticos
A Shein tem sido alvo de questionamentos relacionados ao impacto ambiental de suas operações e a acusações de violações de direitos humanos. A empresa também enfrenta uma concorrência crescente de varejistas chinesas de baixo custo, como Temu e AliExpress.
O presidente-executivo da companhia, Donald Tang, afirmou no ano passado que a empresa mantém “tolerância zero” em relação ao trabalho forçado.
A empresa informou que pretende utilizar os recursos arrecadados de suas ações, começarão a ser negociadas em Hong Kong nesta terça-feira, para aprimorar suas capacidades tecnológicas e ampliar sua presença internacional.
Fundada na China e atualmente sediada em Singapura, a Shein finalmente recebeu no mês passado a aprovação de Pequim para realizar sua oferta pública inicial em Hong Kong.
A Shein registrou lucro líquido anual de US$ 2,06 bilhões em 2025, mas recentemente passou a apresentar prejuízo trimestral de US$ 99 milhões, depois que os Estados Unidos eliminaram uma isenção de tarifas de importação aplicada a pequenas encomendas.
Em uma medida semelhante, a União Europeia impôs no mês passado uma tarifa de 3 euros (US$ 3,50) por item para encomendas avaliadas em menos de 150 euros.
A partir desta terça-feira, a França também passará a cobrar uma taxa sobre produtos de moda ultrarrápida que poderá chegar, no futuro, a quase 20 euros por peça, enquanto o governo busca atingir grandes plataformas asiáticas de comércio eletrônico, incluindo a Shein.
“A piora na percepção do mercado em relação à Shein reflete um crescimento mais lento das receitas diante de uma série de desafios geopolíticos, além do aumento da concorrência”, afirmou Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações para a Ásia da Morningstar, em nota.
“Embora as vendas na Ásia estejam ajudando a compensar a queda das receitas nos Estados Unidos, provavelmente estamos diante de um período de crescimento de receita de apenas um dígito para a empresa, e essa perspectiva de amadurecimento tende a limitar o entusiasmo dos investidores. Além disso, permanecem os riscos relacionados a tarifas e outras questões geopolíticas”, acrescentou.
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