A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor nível da série histórica para esse período do ano, segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado representa uma queda de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre de março a maio, quando o desemprego estava em 5,6%. Na comparação com o período de junho a agosto de 2025, quando a taxa também era de 5,6%, houve o mesmo recuo.
Em números absolutos, 5,8 milhões de pessoas estavam desempregadas no trimestre terminado em agosto. São 281 mil pessoas a menos nessa situação do que no trimestre encerrado em maio e 300 mil a menos do que há um ano.
🔎 A taxa de desemprego considera as pessoas que não estavam trabalhando, mas procuraram emprego e estavam disponíveis para trabalhar. Quem não tem emprego e não está procurando uma vaga não entra nesse cálculo. 🔎
Número de pessoas trabalhando é o maior da história
Ao mesmo tempo em que o desemprego caiu, o mercado de trabalho atingiu um novo recorde. A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, maior número desde o início da série histórica da pesquisa.
Foram 774 mil trabalhadores a mais em relação ao trimestre encerrado em maio, uma alta de 0,8%. Em um ano, o país ganhou cerca de 1,1 milhão de pessoas ocupadas, avanço de 1%.
O chamado nível de ocupação, que mostra a parcela das pessoas em idade de trabalhar que efetivamente estavam ocupadas, chegou a 58,9%.
A força de trabalho também atingiu o maior contingente da série histórica, com 109,3 milhões de brasileiros empregados ou procurando emprego. O número cresceu em 493 mil pessoas no trimestre e em 760 mil em um ano.
Emprego com carteira também bate recorde
Outro recorde foi registrado entre os trabalhadores do setor privado com carteira assinada. O país chegou a 39,5 milhões de empregados formais, desconsiderando os trabalhadores domésticos, o maior contingente da série.
Apesar do patamar histórico, o número ficou estatisticamente estável tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2025.
O Brasil tinha ainda 13,7 milhões de empregados do setor privado sem carteira assinada, 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria e 5,5 milhões de trabalhadores domésticos. Nos três casos, não houve variação significativa nas comparações trimestral e anual.
Informalidade atinge 38,8 milhões
Mesmo com os recordes de ocupação e emprego com carteira, 37,5% dos trabalhadores brasileiros estavam na informalidade, o equivalente a 38,8 milhões de pessoas.
A taxa era de 37,3% no trimestre encerrado em maio, quando havia 38,3 milhões de trabalhadores informais. Um ano antes, a informalidade atingia 38% da população ocupada, ou 38,9 milhões de pessoas.
🔎 O trabalho informal inclui, entre outros grupos, empregados sem carteira assinada e trabalhadores por conta própria que não possuem CNPJ. Por isso, uma pessoa pode estar ocupada e, ainda assim, trabalhar de maneira informal. 🔎
Renda média chega a R$ 3.777
O rendimento médio real dos trabalhadores ficou em R$ 3.777, permanecendo estável em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, porém, houve aumento de 3,7%, já descontada a inflação.
A soma de todos os rendimentos recebidos pelos trabalhadores, chamada pelo IBGE de massa de rendimento, chegou ao recorde de R$ 385,6 bilhões. O montante cresceu R$ 5,2 bilhões em relação ao trimestre anterior e R$ 17,5 bilhões em um ano.
Indústria e construção puxam aumento da ocupação
Entre os setores pesquisados pelo IBGE, indústria e construção foram os que apresentaram crescimento significativo no número de trabalhadores em relação ao trimestre encerrado em maio.
Na indústria, a população ocupada aumentou 2%, com 265 mil trabalhadores a mais. Na construção, o avanço foi de 4,1%, representando 306 mil novos ocupados.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o destaque ficou com transporte, armazenagem e correio, que registraram crescimento de 6,1%, ou 358 mil trabalhadores a mais.
Subutilização cai em um ano
A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 13,1%, estatisticamente estável diante dos 13,3% registrados no trimestre anterior. Em um ano, entretanto, houve queda de um ponto percentual, ante 14,1% no trimestre encerrado em agosto de 2025.
Ao todo, **15 milhões de brasileiros estavam subutilizados**. Esse contingente ficou estável no trimestre, mas diminuiu em cerca de 1 milhão de pessoas em um ano, uma queda de 6,5%.
🔎 A subutilização é uma medida mais ampla do mercado de trabalho. Além dos desempregados, inclui, por exemplo, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e aquelas que poderiam trabalhar, mas não procuraram emprego recentemente. 🔎
O número de pessoas que trabalhavam menos horas do que gostariam ficou em 4,3 milhões, enquanto 2,4 milhões estavam desalentadas. O contingente de desalentados caiu 11,9% em um ano, o equivalente a 317 mil pessoas.
🔎 Desalentados são pessoas que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis, mas desistiram de procurar emprego por motivos como não acreditar que encontrariam uma vaga adequada. 🔎
A população fora da força de trabalho, por sua vez, somou 66,4 milhões de pessoas. O número ficou estável na comparação trimestral e cresceu 0,9% em relação ao mesmo período de 2025.
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