Luis Fernando Verissimo, renomado autor brasileiro, faleceu aos 88 anos em Porto Alegre, no último sábado (30). Conhecido por sua timidez extrema e personagens icônicos, como o Analista de Bagé, sua vida íntima e familiar é retratada no documentário “Verissimo”, dirigido por Ângelo Defanti.
O filme, que foi gravado em 2016, captura a rotina do escritor e sua relação com a esposa, Lucia Helena. Durante as filmagens, Verissimo se mostrava cada vez mais retraído, especialmente após uma infecção que o deixou internado em estado grave em 2012. Lucia brinca que, para entender o que o marido pensava, era preciso ler suas colunas.
A produção do documentário revela um contraste entre a expectativa do público para o aniversário de 80 anos do autor e seu temperamento lacônico. Defanti destaca que o projeto não se concentrou em dados biográficos, mas na dinâmica familiar, onde a introversão de Verissimo influenciava todos ao seu redor. O diretor coletou cem horas de material, resultando em um longa de 87 minutos.
Entre os momentos registrados, a família acompanhou com tristeza as inundações que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024. Lucia considera o documentário um “presente” para os netos, enquanto os filhos do casal aparecem em diversas cenas, mesmo não morando mais com os pais.
Após um AVC em 2021, Verissimo perdeu a capacidade de escrever e se comunicar. Seu último texto, uma coluna destinada ao GLOBO, permanece inacabado. O autor, que também era saxofonista, não pôde mais tocar. Defanti relembra que, em sua última visita em 2022, Verissimo estava “muito compenetrado” durante eventos como o velório da Rainha Elizabeth II.
A relação entre Verissimo e sua família, marcada por uma normalidade em meio a um mundo inquieto, é um dos principais focos do documentário. O cineasta menciona que o projeto só foi possível devido à dificuldade do autor em recusar convites, o que gerou momentos inesperados, como a visita de um embaixador francês, fã de Erico Verissimo.
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