O Teatro Oficina guarda em um sobrado no Bixiga cerca de 5 mil itens de figurino, adereços e objetos de cena. O acervo soma mais de 50 espetáculos desde a década de 1990 e funciona como memória da companhia. O espaço é chamado Casa de Acervo.Oficina e abriga peças divididas em oito cômodos.
Desde julho, uma equipe formada por artistas da própria companhia e especialistas em conservação têxtil fotografam e catalogam cada item. Informações como tecido, dimensões e estado de conservação são registradas, além do espetáculo em que foram usados.
A catalogação ficará disponível gratuitamente on-line a partir de 22 de outubro, resultado de edital do Programa de Ação Cultural (ProAc), do governo estadual. Elisete Jeremias comanda a operação, integrando quase seis décadas de atuação no Oficina.
Acervo e catalogação
A organização segue a ordem cronológica das montagens, iniciando com As Boas e Hamlet, da década de 1990. A exceção é Os Sertões, dos anos 2000, com uma sala dedicada apenas aos figurinos. A montagem reúne cinco partes e cerca de 26 horas de encenação. Uma arara inteira abriga os uniformes do exército do início do século 20.
Peças de espetáculos em cartaz hoje também integram o acervo, como Senhora dos Afogados e Os Sete Gatinhos. O acervo separa ainda roupas usadas por Zé Celso Martinez, fundador da companhia, e roupas de Lina Bo Bardi, arquiteta do prédio.
O trabalho é cuidadoso: artistas utilizam luvas e máscaras ao manusear as peças. A equipe também recorre a livros de pesquisa, DVDs de peças filmadas e à memória de Elizete e da camareira Cida Mello, com trinta anos de atuação no Oficina. A peça mais antiga catalogada é um avental de 1991, usado na produção As Boas.
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