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Duas novas obras usam o ato de observar a arte como princípio estrutural

No New York Film Festival, Fragments for Venus investiga negritude no Louvre e Bed-Stuy; Doomed and Famous une obras e obituários na galeria Miguel Abreu

A still from Fragments for Venus (2025) Courtesy New York Film Festival
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Recentemente, o New York Film Festival apresentou dois filmes que exploram a experiência de observar arte: Fragments for Venus, de Alice Diop, e Doomed and Famous, de Bingham Bryant. Ambas as obras dialogam com a poética de Robin Coste Lewis e trazem novas perspectivas sobre a representação da negritude nas artes visuais.

Fragments for Venus propõe uma reflexão sobre a negritude através de uma caminhada pelo Museu do Louvre. A narrativa é acompanhada por uma leitura do poema *Voyage of the Sable Venus*, que menciona figuras históricas de mulheres negras. A protagonista, uma mulher negra, observa obras de arte, como o famoso *Banquete de Cana*, enquanto o filme destaca a presença de figuras negras nas pinturas, ampliando a discussão sobre a representação racial na arte. A obra se encerra com imagens de Bed-Stuy, Brooklyn, e referências à artista Nona Faustine, criando um elo entre o passado e a vivência contemporânea.

Doomed and Famous

Por sua vez, Doomed and Famous segue Adrian Dannatt em uma visita à galeria Miguel Abreu, onde a exibição se baseia em sua coleção de obituários de figuras do mundo da arte. O filme entrelaça obras de artistas renomados e menos conhecidos, enquanto Dannatt reflete sobre sua carreira e as personalidades que moldaram a cena artística. A obra é acompanhada por leituras filosóficas de amigos e críticos, que conectam as obras com a narrativa de vida e morte presente nas exposições.

Ambos os filmes, embora distintos em abordagem, oferecem uma nova forma de olhar para a arte, ressaltando a importância da representação e da memória. Através de suas lentes, Diop e Bryant nos convidam a reconsiderar a forma como a arte é vista e interpretada, desafiando narrativas tradicionais e promovendo um diálogo mais inclusivo sobre a experiência artística.

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