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Gen Z volta a costurar do TikTok ao handmade

Geração Z recorre ao artesanal como válvula de alívio: desconexão intencional das redes e retorno a práticas manuais que promovem bem‑estar

Do #Knittok ao handmade: por que a Gen Z voltou às agulhas
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A geração Z tem mostrado uma tendência inusitada: o retorno ao manual, com tricô, crochê e outras artes manuais ganhando espaço como resposta ao ritmo da vida digital. Dados sobre saúde mental indicam que jovens da faixa etária entre 1995 e 2010 enfrentam altos índices de estresse e ansiedade, com quase metade já recebendo diagnóstico relacionado.

A dinâmica ocorre em meio a uma sociedade hiperconectada, onde lançamentos tecnológicos e IA ditam tendências. Em casa, a presença de uma vitrola ou de uma câmera descartável, em vez de dispositivos modernos, é cada vez mais comum entre jovens que vivem esse choque entre o óbvio e o atemporal.

A volta ao mundo real envolve também a busca por experiências que vão além da tela. Pesquisas mostram que 63% da Geração Z se desconecta voluntariamente, formando o maior grupo entre todas as gerações. Paralelamente, 15% preferem pensar no passado a projetar o futuro, segundo a GWI.

Na prática, espaços como a Novelaria, maior loja do Brasil de lãs e acessórios para artes manuais, passam a receber jovens que chegam por curiosidade das redes sociais e acabam migrando para atividades manuais. Profissionais ressaltam que o ato de tricotar ou crochê funciona como um refúgio que distrai da sobrecarga de mensagens diárias.

A pesquisadora e professora Leonora Pimentel destaca que a rede estimula a adesão a cursos presenciais, muitas vezes iniciados por influências de plataformas sociais. Aida Fonseca, psicóloga e chefe do espaço, reforça que o contato com atividades manuais ajuda a reduzir a sensação de estar sempre disponível online, ao menos momentaneamente.

Especialistas citam a prática de artes manuais como terapêutica complementar, com melhoria de humor e satisfação de forma temporária. Estudos indicam que atividades manuais promovem foco, concentração e uma sensação de realização ao longo do processo, não apenas ao concluir o produto final.

Além do tricô, instrumentos musicais, cerâmica, culinária e até pinturas ganham espaço como formas de aliviar a mente sobrecarregada. A ideia é oferecer um ambiente onde o toque, o olfato e a visão são estimulados, proporcionando uma experiência multissensorial e um senso de pertencimento, propiciado por encontros coletivos.

A nostalgia também aparece como parte dessa relação. Pesquisas demonstram que muitos jovens sentem saudade de épocas anteriores e se interessam por estilos e hobbies de passado. Esse apelo ao passado convive com a busca por novas formas de expressão, criando um paradoxo interessante entre o mundo digital e o artesanal.

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