A Shen Yun, companhia de dança chinesa sediada em Nova York, abriu uma temporada de 11 apresentações no Brasil, iniciando em 26 de abril de 2026. A programação inclui Curitiba, São Paulo e Porto Alegre, com sessões até 9 de maio. A tour ocorre em meio a ações judiciais nos EUA que acusam o grupo de abusos trabalhistas.
A ação é liderada pela ex-bailarina Chun-ko Chang, de 29 anos, e envolve mais três ex-integrantes. As acusações já tiveram o respaldo de investigações do Departamento de Trabalho de Nova York, que apura irregularidades trabalhistas na Shen Yun desde novembro de 2024.
As denúncias apontam salários baixos, jornadas extensas e possível recrutamento de menores. A defesa da ação detalha um esquema de coação e controle que, segundo o processo, envolve o uso de filhos de seguidores da prática Falun Gong.
ACUSAÇÕES DE ABUSO
A ação revisada descreve recrutamento de crianças a partir dos 11 anos para benefício financeiro de líderes da organização. A prática religiosa Falun Gong está associada à Shen Yun e é alvo de controvérsias políticas, especialmente na China.
Segundo o processo, artistas seriam privados de atendimento médico moderno e orientados a se curarem por meio de meditação e pensamento, mesmo em casos graves. O documento também cita jornadas superiores a 16 horas diárias durante turnês.
Entre as alegações estão confisco de passaportes, vigilância com guardas, restrição de saída de residentes, limitação de internet e controle de comunicação com famílias. Estima-se que bolsas de estudo possam chegar a 50 mil dólares anuais, com cláusula de devolução em caso de saída.
CONTEXTO E REPERcussões
O Falun Gong, banido na China desde 1999, é visto pelo governo chinês como culto. A Shen Yun afirma resgatar a cultura da China anterior ao comunismo, com apresentações que enfatizam danças antigas. A reportagem não conseguiu ouvir a Shen Yun até o fechamento desta edição.
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