Nesta quarta-feira (2), o ator norte-americano George Clooney afirmou que o rápido desenvolvimento da inteligência artificial dificulta cada vez mais a separação entre fatos e conteúdos fabricados, criando um desafio para profissionais da imprensa, governos e a sociedade. Em seu discurso no Festival de Cinema de Veneza, onde receberá o Leão de Ouro pelo conjunto […]
Nesta quarta-feira (2), o ator norte-americano George Clooney afirmou que o rápido desenvolvimento da inteligência artificial dificulta cada vez mais a separação entre fatos e conteúdos fabricados, criando um desafio para profissionais da imprensa, governos e a sociedade.
Em seu discurso no Festival de Cinema de Veneza, onde receberá o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira, o ator, cineasta e ativista político afirmou que a tecnologia deepfake e o conteúdo gerado por IA estão minando a confiança nas informações.
“Pior do que isso, porque você contamina a percepção ao dizer ‘talvez isso seja verdade’, ‘talvez não seja’; então, quando você vê coisas reais que são realmente verdadeiras, as pessoas são capazes de dizer: ‘Bem, isso é falso’”, declarou.
O duas vezes vencedor do Oscar, que já recebeu prêmios por suas campanhas em prol da justiça, disse ter se encontrado recentemente com importantes desenvolvedores de IA e não estar convencido de que as salvaguardas atuais sejam suficientes para acompanhar os avanços da tecnologia.
“Todo mundo está trabalhando freneticamente nisso, e ainda não vi nenhum grande avanço em termos de sucesso” disse o ator, “gostaria de evitar aparecer em um comercial de absorventes 20 anos depois de minha morte” afirmou ele, brincando que não queria pensar em sua imagem sendo usada depois que ele se fosse.
Clooney relacionou o desafio da IA a preocupações mais amplas sobre o jornalismo, dizendo que a propriedade da mídia se concentrou nas mãos de um pequeno número de indivíduos ricos.
“As pessoas mais ricas do mundo atualmente são donas do Washington Post e do Twitter, além da maioria dos veículos por onde obtemos nossas informações, e isso é preocupante”, disse ele, referindo-se a Jeff Bezos e Elon Musk, respectivamente.
Inteligência artificial está mais presente no cinema
No âmbito do audiovisual, área de Clooney e foco do festival de Veneza, a inteligência artificial generativa está sendo cada vez mais inserida. Em 2024, foi lançado o filme DreadClub: Vampire’s Verdict, divulgado como o primeiro longa de animação inteiramente gerado por IA, com um orçamento de US$ 405.
Lançado em novembro de 2024, o documentário About a Hero foi construído em torno de um roteiro produzido por uma IA treinada com os filmes e textos de Werner Herzog. O sistema criou uma história que depois foi adaptada para a produção. O longa abriu o Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA) de 2024 e participou da competição principal, tornando-se um dos primeiros filmes centrados em IA generativa a receber esse espaço em um festival tradicional importante.
Em junho de 2025, o curta-metragem Ancestra, dirigido por Eliza McNitt, foi lançado. A produção foi fruto de uma parceria com as empresas Google DeepMind e Google Creative Lab – braços de IA da Google – e o estúdio Primordial Soup, voltado para a produção cinematográfica e audiovisual utilizando inteligência artificial generativa.
Atualmente, existem alguns festivais focados exclusivamente em produções geradas por inteligência artificial, como é o caso do Runway AI Festival, evento criado em 2022 que premia filmes e outras produções feitas com ferramentas generativas.
(Com informações da Reuters)
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