Isaiah Rashad lança o terceiro álbum, It’s Been Awful, apresentando um retrato cru de sua vida pessoal e artística. O trabalho mergulha em memórias familiares, dúvidas sobre sexualidade e a pressão de ser figura de destaque no rap do sul dos EUA.
O disco, com 16 faixas e 54 minutos, coloca em evidência o single Act Normal, que aborda um episódio viral de 2022 envolvendo Rashad e a divulgação de imagens envolvendo sua orientação sexual. O artista, criado em Chattanooga, Tennessee, reflete sobre uma casa marcada por segredos familiares.
Em meio a esse eixo, o álbum dialoga com referências do sul dos anos 1990, buscando um clima de blues urbano. Batidas densas e melodias filtradas sustentam a narrativa, traçada com colaborações de produtores e backing vocals que reforçam o efeito ecoante das faixas.
A produção é assinada por nomes como Julian Sintonia, Hollywood Cole e Mario Luciano, que ajudam a costurar o som characteristicamente pastoso do álbum. A sonoridade remete a obras de Outkast e a tradição do Dirty South, com toques de modernidade no andamento das faixas.
Rashad dialoga com temas de dependência, sobriedade e a relação com a família, sem oferecer soluções fáceis. Em várias faixas ele revisita episódios de uso de substâncias, a distância dos filhos e o peso de expectativas sobre a carreira musical. O resultado é uma obra de autoconhecimento não trivial.
Em termos de linguagem musical, o álbum alterna momentos de introspecção com explosões de energia, encerrando com faixas que apostam em uma entrega mais crua e direta. A arrebatadora contagem final reforça a tensão entre vulnerabilidade e resistência.
It’s Been Awful se apresenta como uma continuação da trajetória de Rashad, ainda que com menos visibilidade no mainstream. O projeto marca uma fase em que o rapper sulista busca ampliar a compreensão da sua arte, longe de rótulos e estereótipos que ainda cercam o gênero.
Entre na conversa da comunidade