Miles Davis completa 100 anos em 26 de maio de 2026, marco que celebra sua influência duradoura no jazz. O trompetista norte-americano é reconhecido por criar novas linguagens que moldaram gerações de músicos.
A trajetória dele envolve passagem pelo cool jazz, parceria com Charlie Parker no bebop e participação no jazz modal. A constante evolução o manteve conectado a rock, funk e hip‑hop.
Observadores ressaltam a busca constante de Davis pela inovação. O trompetista francês Julien Alour destaca que ele representa o músico que está sempre em busca de algo, e encontra nesse percurso a essência da música.
Outro ponto visto como marcante é a maneira de tocar com menos notas, mas com maior intenção, prática que influenciou artistas contemporâneos e continua presente na obra de músicos como Ibrahim Maalouf.
Luta contra o racismo por meio da arte
Nascido em 1926 em Illinois, Miles Davis moldou seu caminho ao se mudar para Nova York e tornar-se músico de Charlie Parker. Entre shows, festivais e parcerias, ele reconheceu o racismo nos EUA do final dos anos 1940 e atuou para quebrar barreiras.
Entre as ações, Davis decidiu, em 1961, que uma mulher negra estampasse a capa do álbum Someday My Prince Will Come, gesto incomum em um mercado com padrões dominados por modelos brancos.
Relação com a França
A relação com a França foi central para Davis, especialmente nas décadas de 1940 e 1950, quando recebeu reconhecimento que nem sempre encontrava nos EUA. Em Paris, o jazz era visto como arte sofisticada e respeitada.
Durante a primeira viagem a Paris, em 1949, Davis viveu um romance com a cantora francesa Juliette Gréco, lembrado como um dos períodos mais felizes de sua vida e marcado pela percepção de menos preconceito.
A ligação com a França se consolidou com a trilha sonora de Ascensor para o Eachfalto, de Louis Malle, gravada em 1957. A composição surgiu de modo quase improvisado, durante as cenas do filme.
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