Antônio Barreira, autor português de Dona Beja, diz que a novela continua movendo o público, apenas mudou a forma como é consumida. Em conversa com a nossa reportagem, ele explica que a obra mantém a força, mesmo diante da era do streaming.
A ideia central da nova versão é preservar a espinha dorsal da história, ao mesmo tempo em que se atualiza para o século XXI. Barreira destaca o cuidado com a figura histórica e a necessidade de ampliar o olhar sobre a sociedade do século XIX.
A revisita envolve ampliar o protagonismo de personagens negros e mostrar como eles ocupavam espaços de poder, sem apagar o peso da escravidão. Beja também é apresentada como uma personagem estratégica, conectada às mulheres de hoje.
O autor reforça que Dona Beja dialoga com o público atual porque, embora tenha avanços, a igualdade segue como desafio. A personagem representa a busca por autonomia e reconhecimento, valores que permanecem relevantes.
Para Barreira, as dramaturgias de Portugal e do Brasil se aproximam no melodrama e nas grandes emoções. A principal diferença está na tradição industrial: o Brasil lidera em produção de novelas há décadas, enquanto Portugal tem uma trajetória mais recente.
Ainda segundo o autor, o formato globaliza histórias locais ao conectar culturas distintas. Ele cita a ideia de que contar a própria aldeia pode se tornar conversa com o mundo, fenômeno que a dramaturgia portuguesa já experimenta há tempo.
Sobre o crescente alcance internacional, Barreira aponta que a internet e as plataformas de streaming derrubaram fronteiras. Narrativas de diferentes países alcançam públicos antes improváveis, ampliando o repertório global de novelas.
Quanto à relevância da novela hoje, o autor não vê queda de impacto, mas mudança no comportamento do público. O consumo se espalha por plataformas, permitindo maratonas e acesso flexível aos episódios.
No aspecto de escrita, Barreira ressalta que o ritmo muda com o streaming. Contar histórias para diferentes plataformas exige ganchos que prendam a atenção, ainda que a essência da narrativa permaneça a mesma.
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