A reação à hiperrealidade gerada por inteligência artificial mobiliza artistas e criadores, que buscam soluções mais caseiras e imperfeitas. A novidade tecnológica é vista como predominante, gerando resistência entre profissionais de design e ilustração.
Designer de capas e ilustrações, Michael Schmelling, afirma que a IA tem sido imposta, com uso constante em várias plataformas. Ele aponta que a IA se sustenta no trabalho de terceiros e critica o modelo de remuneração obtido por quem cria as bases para o treinamento.
Recentemente, Schmelling recusou, de forma veemente, que trabalhos seus fossem usados para treinar IA em projetos encomendados. Essa posição reflete o movimento de profissionais que defendem controle sobre o uso de seus repertórios criativos.
Movimento anti-slop e produção artesanal
Outro exemplo lembrado pelo setor é o vídeo produzido pela Stoopid Buddy Stoodios para o Green Bay Packers. A animação em stop-motion retrata atletas como action figures de estilo dos anos 1980, em um cenário de arcade de centro de compras. A produção é inteiramente manual.
O estúdio, conhecido pelo programa Robot Chicken, afirma que toda a obra foi criada à mão durante o processo de animação, incluindo figurinos, cenografia e atuação dos bonecos. A equipe destaca a importância do toque artesanal na narrativa.
O material acompanha uma campanha nas redes sociais do Packers, com um making-of publicado pela própria equipe. Nessa comunicação, há sinalização de desaprovação ao uso indiscriminado de IA na criação de conteúdos criativos.
O diretor criativo da Stoopid Buddy ressalta que a empresa não adota uma posição anticampo total contra IA, reconhecendo o uso de ferramentas digitais no fluxo de trabalho. Ainda assim, defende que o que se pode contar como história é melhor ser feito de forma manual.
Historicamente, o debate sobre IA lembra a transformação provocada pela fotografia no fim do século XIX. A entrada de imagens fotográficas de alta fidelidade levou artistas a buscar caminhos que enfatizam a expressão humana, a técnica e a impressão de autoria.
Alguns participantes esperam que a pressão contra o excesso de IA desencadeie novas frentes criativas. Outros antecipam uma contra-reação tecnológica, com maior adoção de softwares de edição, ainda que sob controle criativo mais rígido.
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