Vivian Caccuri apresenta Pele Azul, uma mostra no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, que fica em cartaz até 3 de agosto. A exposição revisita mais de uma década de pesquisa sobre mosquitos, com foco no Sabethes albiprivus, mosquito de pele azulada. Em parceria com cientistas da Fiocruz, a artista filma a espécie em contexto de pesquisa.
A instalação principal, intitulada Gatonet (Nuvem), mistura 120 blocos de concreto, 60 caixas de som e fios de cobre para simular uma selva de cipós. Visualmente, o conjunto aproxima o sintético do orgânico; sonoramente, produz uma paisagem magnética e inquietante. O objetivo é provocar sensações de delírio e estranhamento.
A proposta parte de um ângulo histórico e cultural sobre o mosquito, ressaltando a figura como máquina cujos sons são percebidos como agressivos e desprovidos de alma. A curadoria, representada por Bernardo José de Souza, afirma que o ambiente busca um efeito irreal, quase onírico, para o público.
Entre as obras mais intimistas estão Lexapro II e Lexapro III, nas quais a artista dialoga com a pandemia. Ao falar sobre o uso de antidepressivo, Caccuri conecta a padronização de corpos com a uniformização de mosquitos, criando personagens híbridos que dialogam em meio a um mosquiteiro que separa humano de inseto.
A mostra também dialoga com o aspecto científico na veia da pesquisa. O filme que dá nome à exposição é apresentado em três telas no segundo andar e teve produção com apoio do laboratório da Fiocruz. O enredo acompanha o ciclo de vida do mosquito, da eclosão à picada, culminando em uma transformação de pele azulada.
Segundo o elenco técnico, a narrativa audiovisual revela uma fauna pouco observada pela sociedade, invertendo relações entre espécie humana e inseto. A ambientação sonora e física é pensada para ampliar a percepção de alteridade, sem juízos de valor ou avaliações morais.
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