Felipe Hirsch apresenta Orkhéstra Phántasma, espetáculo que marca uma nova fase em sua carreira. A montagem reúne sons, ruídos e ideias sobre memória, tecnologia e o futuro da humanidade, em apresentação no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.
O diretor, que assina dramaturgia com Caetano W. Galindo, Juuar e a equipe do espetáculo, tenta traduzir ruídos mentais em experiência sensorial. O projeto parte de pesquisas com inteligência artificial e de observações do passado de Hirsch.
Durante uma residência em Curitiba, Hirsch passou 15 horas em diálogo com a assistente de IA Claude, gerando um arquivo de 500 páginas. O episódio ocorreu num espaço onde o encenador visita a mãe, hoje em tratamento para Alzheimer.
No palco, uma transmissão de rádio altera estações a cada instante, conectando vozes de tempos diferentes e sons de várias eras. A experiência dialoga com a ideia de uma orquestra invisível que pode falar línguas inexistentes.
As ideias do espetáculo nasceram após a pesquisa com um vídeo da exposição Fala, Falar, Falares, no Museu da Língua Portuguesa. Hirsch destaca que karaokê combina vazio e orquestra, referência que norteia a montagem.
Orkhéstra Phántasma surge como início de uma nova etapa após quatro décadas de atuação. Hirsch mantém parceria criativa com Galindo, além de Juuar e da equipe técnica, buscando uma experiência mais sensorial e reflexiva.
O projeto questiona o domínio de grandes corporações sobre a criatividade e coloca a IA como vilã que exige resistência. O espetáculo, segundo o diretor, busca frestas de sobrevivência criativa para a humanidade.
Ainda sem concluir a produção, Hirsch relembra mestres como Antunes Filho, cujas lembranças moldaram a percepção de que o teatro registra traumas e vozes. A peça propõe que a cabeça humana seja uma orquestra de fantasmas.
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