Na manhã fria de domingo, 16 de março de 1975, em Parma, Itália, Pier Paolo Pasolini e Bernardo Bertolucci protagonizaram uma partida de futebol entre equipes ligadas aos seus projetos cinematográficos. O encontro ocorreu durante a produção de Bertolucci em 1900 e Pasolini filmava Salò, em Mantova.
A vitória ficou com Bertolucci, que marcou cinco gols contra dois de Pasolini. Segundo relatos, a coreografia do jogo envolveu jovens da base de Parma disfarçados de membros da equipe de filmagem, já que a formação original contava com poucos jogadores disponíveis.
Carlo Ancelotti, então com 17 anos, participou disfarçado de assistente de set, contribuindo para o placar ao lado de um parceiro da base do Parma. O episódio é visto como marco da reconciliação entre os dois diretores, que havia esfriado a relação anos antes.
O Jogo e o Contexto
A partida é lembrada como símbolo das divergências estéticas entre Bertolucci, representante de uma visão mais socialista do cinema, e Pasolini, cujas obras exploravam brutalidade e políticas extremas. O confronto ocorreu durante uma época de proximidade entre as equipes que gravavam próximas cidades italianas.
Conforme o documentário Centoventi Contro Novecento, as figuras técnicas do set ressaltaram o clima amistoso à época, apesar do escanteio de De Niro e Depardieu, que não participaram. Pasolini, conhecido pela paixão pelo futebol, encarnou a postura agressiva em campo.
Desdobramentos e Legado
O jogo terminou em goleada de Bertolucci, elevando a tensão entre Pasolini e seus companheiros de time no restante da jornada de filmagens. A reaproximação entre as duas figuras públicas durou até o assassinato de Pasolini, em Ostia, no final de 1975.
Parte da história ficou registrada pelas imagens de Deborah Beer, que documentou o evento para os arquivos da Cinemazero em Pordenone, Itália. O episódio ganha destaque como exemplo de relações que moldaram a história do cinema italiano do século XX.
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