Curaçao, ilha caribenha com pouco mais de 150 mil habitantes, participa pela primeira vez de uma Copa do Mundo da FIFA. Localizada a 65 km da costa venezuelana, tem território de 443 km² e é parte autônoma do Reino dos Países Baixos. O idioma predominante é o papiamento, com raízes portuguesas e influências espanholas, holandesas e africanas. Curaçao não é Estado soberano, mas um país participante do reino.
A seleção, apelidada de A Onda Azul, avançou ao superar Bermudas, Trinidad e Tobago e Jamaica. A vaga veio sob a condução de Dick Advocaat, técnico holandês de 78 anos. Entre os jogadores, destacam-se jovens com dupla cidadania, como Livano Comenencia e Tahith Chong, que atuam nos Países Baixos.
Buladó: cinema curaçauense e sua voz
No campo audiovisual, Curaçao sustenta uma produção própria fortalecida pela ligação com os Países Baixos. O cinema da ilha foca na herança caribenha, no colonialismo e nos conflitos culturais decorrentes da dominação holandesa.
Dirigido por Eché Janga, natural da ilha, Buladó representa Curaçao na Copa do Mundo de Cinema. O filme conquistou o Bezerro de Ouro, prêmio maior do cinema holandês, e foi selecionado pelo comitê dos Países Baixos para o Oscar de 2020.
A narrativa acompanha Kenza, uma menina de 11 anos que vive com o pai Ouira e o avô Weljo, em um ferro-velho no interior. Os dois representam visões opostas: o racional, ocidental, de Ouira, e a espiritualidade dos habitantes nativos, encarnada por Weljo. Kenza busca seu próprio caminho entre esses extremos.
Buladó propõe uma leitura cosmológica da identidade da ilha, explorando mitos locais e a herança africana. O filme questiona a lógica colonial que moldou Curaçao e afirma a soberania narrativa da ilha. O idioma central é o papiamento, usado como forma de afirmação cultural.
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