Keith Ridgway lança romance que explora ambivalência, violência simbólica e uma Dublin inquieta. A obra acompanha Bartholomew Port, conhecido como Mew, que parte de Londres para a capital irlandesa de origem. O deslocamento ocorre não por meios físicos, mas por uma travessia simbólica entre bairros, sobressaltos e estranhezas.
A narrativa mergulha em uma cidade que parece reconhecer seus próprios erros, com tensões entre inquilinos e proprietários, além de mobilizações políticas. Dinny, um velho amigo de Mew, sugere o acirramento de movimentos sociais e assassinatos de cunho político, enquanto a trama envolve protestos subterrâneos e encontros com figuras radicais.
A história alterna entre a perspectiva de Mew e monólogos de revolucionários que acompanham a jornada, oferecendo uma visão fragmentada do tempo e da resistência. O tom combina humor ácido com reflexão sobre história irlandesa, imperialismo e o papel da imaginação na política.
Do enredo ao tema
O romance também investiga o que significa chamar de “lar” um lugar alterado pela ausência e pelo retorno. A ambientação inclui passagens subterrâneas de uma Dublin tensa, onde o medo contrasta com a busca por conexão humana. A presença de Mootie, amor de Mew, funciona como eixo afetivo central.
Contexto crítico
A obra é marcada por uma prosa dinâmica, com ritmos variáveis e elocuções que dialogam com tradições literárias de Irlanda e Londres. Mesmo em meio à ambiguidade, a narrativa transmite clareza suficiente para sustentar o andamento e a compreensão do leitor.
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