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Escritora brasileira foge da onda identitária e é finalista de prêmio mundial

Ana Paula Maia, crítica à identitarização, é finalista do Booker Internacional com romance brutal sobre poder e morte, sem foco na identidade

Ana Paula Maia: sem interesse em pautas identitárias. (Foto: Wikimedia)
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Ana Paula Maia, escritora brasileira de 48 anos, ganhou destaque internacional ao ser finalista do Booker Internacional com Assim na terra como embaixo da terra. A autora, nascida em Nova Iguaçu, enfrenta críticas sobre identidade e gênero em meio a uma análise de sua obra.

Em entrevista ao portal UOL, Maia afirma não trabalhar com tema identitário e diz que seus textos tratam de sistemas de poder, não da vida cotidiana brasileira. Ela ressalta que não há protagonismo feminino em suas narrativas e prefere ser avaliada pela qualidade literária.

A repercussão levou a debates, com o escritor Ale Santos destacando a persistência do tratamento de horror e ficções de gênero como menos valorizados para autores negros. A discussão ganhou também o BookTwitter, onde Maia foi alvo de leituras diversas sobre identidade.

A obra e o cenário

O romance Assim na terra como embaixo da terra se passa numa colônia penal cercada por muros, com uma cerca eletrificada, sob a supervisão de um agente que caça condenados. A narrativa conecta violência histórica a um espaço de confinamento contemporâneo, sem identificar um Brasil específico.

A história desenha uma geografia de corpos mortos e enterrados, sugerindo uma crítica às camadas de violência que antecedem o presídio. Ao longo da leitura, personagens humanos aparecem pela função social que exercem, não pela origem ou pela cor.

O debate sobre identitarismo

O caso de Maia dialoga com Itamar Vieira Junior, que também foi finalista do Booker em 2024 com Torto Arado. Enquanto Vieira Jr. sustenta uma leitura que não restringe o escritor a uma etiqueta identitária, Maia mantém o foco na forma e na contenção do tema.

A polêmica ganhou novas camadas com declarações de tradutores e críticos, ressaltando a tensão entre identidade e mercado editorial. Analistas salientam que a literatura pode dialogar com memória e forma sem reduzir o escritor a rótulos.

A forma acima do tema

A avaliação dos jurados de Londres destacou a prosa seca e presente de Maia, considerada por eles brutal, assombrosa e hipnótica. A autora admite trabalhar sob pressão de produção, sentindo cansaço ao concluir cada livro, e já prepara o próximo, O tenebroso brilho do sol, ambientado no Rio Grande do Sul.

A pergunta principal que fica é o motivo de Maia não buscar um Brasil mais reconhecível fora dos temas de crime e violência, apesar de não se afastar de cenários onde a crueldade molda a narrativa.

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