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Deezer registra mais de 90 mil músicas feitas por IA todos os dias

Streaming foi o primeiro a desenvolver uma tecnologia capaz de detectar faixas geradas por inteligência artificial

Foto de um celular em um fundo roxo com branco mostrando a funcionalidade de detecção de IA da plataforma deezer
Deezer foi a primeira plataforma a detectar músicas geradas por inteligência artificial e avisar os usuários (Créditos: Divulgação/Deezer)

Há alguns anos, ao perguntar para alguma pessoa, quais áreas ela acha que a tecnologia mais estaria integrada no futuro, dificilmente a resposta seria nos trabalhos criativos, mas o cenário atual diz o contrário. Com o avanço das inteligências artificiais generativas, com modelos como ChatGPT e Claude, o âmbito artístico se vê cada vez mais […]

Há alguns anos, ao perguntar para alguma pessoa, quais áreas ela acha que a tecnologia mais estaria integrada no futuro, dificilmente a resposta seria nos trabalhos criativos, mas o cenário atual diz o contrário. Com o avanço das inteligências artificiais generativas, com modelos como ChatGPT e Claude, o âmbito artístico se vê cada vez mais populado por obras geradas pelos agentes.

Deezer está na linha de frente no combate às músicas feitas por IA

A música é um grande reflexo desse avanço na área. De acordo com dados da Deezer, 50% do número de novas faixas enviadas diariamente na plataforma foram completamente geradas por IA, atingindo um pico de 90 mil produções artificiais enviadas por dia.

Um dos principais problemas está no motivo por trás dessas obras estarem na plataforma, que estão sendo usadas para ganhar um grande número de “streams” (termo utilizado para se referir a reproduções de música em plataformas de streaming) e ganhar dinheiro em volta disso, ato chamado de “streams fraudulentas”.

As pessoas por trás dessa prática enviam diversas obras na plataforma e depois colocam robôs para reproduzi-las automaticamente, inflando o número de streams para que o usuário ganhe dinheiro da plataforma.

A tática ganha uma outra camada ao olhar para a quantidade de faixas enviadas. O número de reproduções são espalhadas entre diversas canções para não atrair a atenção da plataforma e de suas medidas de segurança contra streams fraudulentas.

A Deezer informou que o número de streams totais em músicas geradas por IA são pequenas e representam entre 1% a 3%. Mas dentro do escopo das obras artificiais, 85% das reproduções nelas foram geradas de forma fraudulenta.

A plataforma está na linha de frente contra as produções geradas por inteligência artificial. Em janeiro de 2025, a empresa lançou sua própria ferramenta de detecção de IA, que é utilizada para encontrar músicas artificiais e excluí-las do algoritmo e de recomendações, além de ajudar a combater as streams fraudulentas.

A prática de conseguir dinheiro através de faixas geradas artificialmente afeta diretamente artistas autorais. De acordo com estimativas da Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores (CISAC) em parceria com a PMP Strategy, até 2028, 24% da receita dos criadores de música estará em risco devido a prática utilizando modelos de inteligência artificial, o que poderia chegar a um prejuízo de até € 4 bilhões na área, que ultrapassa o valor de R$ 23 bilhões.

Música gerada artificialmente vai desbancar a “artesanal”?

Com o avanço das IAs, as imagens, sons e textos gerados pelos modelos se aproximam mais da realidade, a ponto de serem cada vez mais indistinguíveis de produções feitas por humanos. Quando esta linha tênue entre o artificial e o real vai se afinando, a consumação de conteúdos gerados por agentes de IA aumenta.

Uma pesquisa realizada pela Deezer, em novembro de 2025, com 9 mil pessoas em 8 países, ressalta que justamente essa linha esteja mais tênue do que nunca. 97% dos entrevistados não conseguiram identificar a diferença entre uma música gerada artificialmente para uma humana e 80% gostariam que estivesse explícito nas plataformas se as produções forem feitas 100% pelas ferramentas.

Mesmo bandas e músicas sendo marcadas como artificiais, algumas ainda conseguem atingir a fama que muitos artistas humanos, com anos de dedicação não conseguiram. Esse foi o caso do The Velvet Sundown.

A banda é totalmente formada por inteligência artificial, desde a parte visual até as músicas. Em 2025, eles alcançaram um milhão de ouvintes no Spotify, com três álbuns lançados: Floating on Echoes, Dust and Silence e Paper Sun Rebelion, todos do mesmo ano. Eles contém quatro músicas com mais de um milhão de reproduções na plataforma, a mais famosa, “Dust on The Wind”, possui atualmente mais de 4 milhões de streams.

Um ano depois, em 2026, a banda está sem novos lançamentos e decaiu no número de ouvintes, alcançando pouco mais de 100 mil, o que ainda é muito considerando a dificuldade de vários músicos de furarem o nicho independente a ponto de alcançarem a fama e manchetes nos jornais.

Porém, a música gerada por inteligência artificial necessita de artistas reais para existir. Essas tecnologias geram imagens, sons e textos após serem treinadas com produções reais, feitas por humanos. Portanto, caso a disseminação continue alta, a chance das IAs começarem a se alimentar de outras produções artificiais aumenta, mostrando a principal fragilidade dos modelos, e uma capacidade única dos humanos: a capacidade de criar algo inteiramente único.

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