Maggie Gyllenhaal revelou nesta sexta-feira (4) que abandonou o uso de inteligência artificial generativa de vídeos na produção de seu filme sobre Marilyn Monroe após concluir que a tecnologia “basicamente não funcionou”.
A americana preside o júri do Festival de Cinema de Veneza deste ano e também apresenta um curta-metragem de 17 minutos sobre Marilyn Monroe.
Em “Flesh Impact”, Dakota Johnson interpreta a lendária estrela em seu auge, e Ellen Burstyn a retrata mais tarde na vida, imaginando como ela teria sido se não tivesse morrido em 1962.
“As pessoas que encomendaram este projeto me pediram para usar IA”, disse Gyllenhaal durante uma palestra sobre inteligência artificial em Veneza.
“Eles estavam usando uma IA licenciada, treinando-a com filmes de Marilyn Monroe dos quais tínhamos os direitos. E eu topei. Pensei: ‘Ok, estou curiosa. Vamos ver'”, disse a diretora de “A Noiva” e “A Filha Perdida”.
“E basicamente não funcionou. Trabalhamos muito nisso e, no fim, descartei a ideia porque o resultado com Dakota interpretando Marilyn Monroe foi muito mais comovente, humano, vibrante”, acrescentou.
George Clooney também criticou IA no festival de Veneza
o ator norte-americano George Clooney afirmou que o rápido desenvolvimento da inteligência artificial dificulta cada vez mais a separação entre fatos e conteúdos fabricados, criando um desafio para profissionais da imprensa, governos e a sociedade.
Em seu discurso no Festival de Cinema de Veneza, onde receberá o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira, o ator, cineasta e ativista político afirmou que a tecnologia deepfake e o conteúdo gerado por IA estão minando a confiança nas informações.
“Pior do que isso, porque você contamina a percepção ao dizer ‘talvez isso seja verdade’, ‘talvez não seja’; então, quando você vê coisas reais que são realmente verdadeiras, as pessoas são capazes de dizer: ‘Bem, isso é falso’”, declarou.
Inteligência artificial está mais presente no cinema
No âmbito do audiovisual, a inteligência artificial generativa está sendo cada vez mais inserida. Em 2024, foi lançado o filme DreadClub: Vampire’s Verdict, divulgado como o primeiro longa de animação inteiramente gerado por IA, com um orçamento de US$ 405.
Lançado em novembro de 2024, o documentário About a Hero foi construído em torno de um roteiro produzido por uma IA treinada com os filmes e textos de Werner Herzog. O sistema criou uma história que depois foi adaptada para a produção. O longa abriu o Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA) de 2024 e participou da competição principal, tornando-se um dos primeiros filmes centrados em IA generativa a receber esse espaço em um festival tradicional importante.
Em junho de 2025, o curta-metragem Ancestra, dirigido por Eliza McNitt, foi lançado. A produção foi fruto de uma parceria com as empresas Google DeepMind e Google Creative Lab – braços de IA da Google – e o estúdio Primordial Soup, voltado para a produção cinematográfica e audiovisual utilizando inteligência artificial generativa.
Atualmente, existem alguns festivais focados exclusivamente em produções geradas por inteligência artificial, como é o caso do Runway AI Festival, evento criado em 2022 que premia filmes e outras produções feitas com ferramentas generativas.
(Com informações da Reuters e AFP)
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