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Fotos de lua de mel íntimas de fotógrafo suíço causam escândalo

As fotos de lua de mel em Paris, vistas como escândalo na época, ajudaram a legitimar a nudez como arte na fotografia

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  • Em 1952, o fotógrafo suíço René Groebli e a esposa Rita Dürmüller passaram a lua de mel em um hotel de Montparnasse, Paris, produzindo fotos sensuais e intimistas.
  • As imagens retratam Dürmüller de forma natural e com gestos contidos, destacando a relação entre eles e espaços como a cama e a luz das janelas; uma última foto mostra a mão com aliança segurando um cigarro sobre a cama.
  • Em 1954, o conjunto foi publicado em livro e gerou escândalo, com cartas críticas e editoriais desfavoráveis.
  • Groebli explica que o objetivo era captar amor e participação criativa de Rita, que ajudou na maquiagem e na composição, e que a série não tinha a finalidade de objecto de desejo.
  • A série recebeu apoio de Edward Steichen e integrou The Family of Man (1955); hoje há uma exposição em Zurique revisitando esse trabalho e a trajetória do fotógrafo.

No Montparnasse, em 1952, dois recém-casados entraram num pequeno hotel para a lua de mel. René Groebli, fotógrafo suíço, e Rita Dürmüller passaram horas no quarto registrando uma série de imagens sensuais e intimistas. O conjunto seria publicado depois como livro, gerando controvérsia na época.

As fotografias acompanham os movimentos de Dürmüller, com roupas que caem dos ombros e pescoços em destaque. O casal afirma tratar-se de uma abordagem artística para revelar a emoção entre eles, sem poses explícitas. O quarto, a cama e as cortinas rendem cenas que hoje soam suaves, mas foram consideradas escândalo em 1954.

Contexto e obra

Groebli nasceu em 1927, em Zurique, e destacou-se por uma visão que valoriza o movimento. Seu início incluiu séries sobre trains, dançarinos e rodas, sem aderir ao objetivismo estrito da época. A primeira grande coleção, Rail Magic, explorou velocidade e fluidez.

Em 1951, casou-se com Dürmüller, que era graduada em pintura. O casal foi a Paris na lua de mel de 1952, ocasião que resultou nas fotos da série The Eye of Love. O conjunto provocou críticas e cartas de leitores, mas também reconhecimento entre artistas.

Reação histórica

A exposição e as publicações iniciais causaram polêmica, com leitores e jornais desaconselhando a nudez e associando-a à pornografia. Groebli explicou que a obra mostra amor e colaboração entre ele e Rita, que participou ativamente da criação.

Mais tarde, The Eye of Love recebeu apoio de Edward Steichen, que convidou Groebli para integrar The Family of Man, em 1955, no MoMA. A curadoria valorizou o aspecto humano e poético das imagens, além de sua assinatura estética.

Legado e trajetória

Groebli continuou a expandir o uso da cor com técnicas experimentais nas décadas seguintes, incluindo filtros e transferências de cor. Sua carreira abrange fotojornalismo, publicidade e design, com retratos de figuras como Charlie Chaplin e Walt Disney.

Em entrevistas recentes, Groebli comenta sobre a evolução da fotografia com o advento dos smartphones e da IA, destacando a necessidade de distinguir imagens geradas por máquina da fotografia autêntica. A mostra atual na Zurique celebra décadas de experimentação.

Exposição em Zurique

A exposição em Zurique reúne uma seleção extensa da obra de Groebli, incluindo os trabalhos que o tornaram conhecido por sua sensibilidade para o movimento. Entre eles, as fotos da lua de mel em Paris permanecem como o registro mais pessoal do fotógrafo.

O conjunto de Groebli continua a ser visto como um marco da fotografia que une técnica, sentimento e inovação. A curadoria enfatiza o diálogo entre a intimidade do casal e o contexto artístico da época, sem abrir mão da precisão histórica.

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