- Helena Rizzo, aos 47 anos, comemora vinte anos do Maní e revela que o cardápio ficou mais brasileiro e paulista, com menos influência europeia, além de ter ampliado sua relação com a vida fora da cozinha após a maternidade em 2015.
- A chef relata que a vida no campo, perto da Mata Atlântica em Piracaia, interior de São Paulo, ganhou espaço enquanto o tempo para a cozinha ficou mais equilibrado.
- O MasterChef Brasil participou da trajetória de Rizzo, que hoje divide a liderança criativa da equipe com o chef Willem Vandeven e mantém o Maní como um restaurante com estrela Michelin.
- A fala sobre machismo na gastronomia aparece ao longo do texto, com críticas ao ambiente tradicional de estágios e à cultura tóxica, defendendo mudanças e maior reconhecimento de mulheres.
- O cardápio atual celebra ingredientes nacionais, destaca pratos como tambaqui moqueado com beiju e milho, e a reforma do restaurante se inspira em Pau-Brasil; a visão de longo prazo é envelhecer no sítio, cercada pela natureza, cultivando e cozinhando.
Helena Rizzo celebra os 20 anos do Maní enquanto amplia o escopo do seu trabalho: a cozinhar em contato com a natureza e a viver uma rotina mais ligada ao campo. Em meio às comemorações, a chef fala de mudanças no menu, na relação com o tempo e na convivência com a Mata Atlântica do interior paulista.
Aos 47 anos, ela tem passado mais tempo no sítio perto da represa de Piracaia, onde a vida rural molda escolhas de cozinha e estilo de vida. O Maní, fundado em 2006, cresceu com parceria de Fernanda Lima e hoje envolve expansão de unidades e reformulações no cardápio, com identidade mais brasileira.
Do Maní à vida no campo
A trajetória de Rizzo inclui passagens por restaurantes europeus, experiência internacional e participação no MasterChef Brasil, que alterou a percepção sobre a gastronomia. O foco atual privilegia ingredientes locais, como milho, mandioca e abóbora, com receitas que dialogam com raízes brasileiras.
Em termos de gestão, a chef passou a delegar mais tarefas, mantendo o Maní como núcleo, mas expandindo para outras unidades do grupo Manioca e espaços para eventos. Essa divisão de responsabilidades acompanha a mudança de ritmo entre a cidade e o campo.
Repertório e identidade
No cardápio, a cozinha ganhou traços latino-americanos e nacionais, incorporando técnicas indígenas e referências regionais. Pratos como tambaqui com beiju e a mandioca ganham destaque, assim como o uso de milho crioulo e de sabores locais, em linha com a nova proposta.
A reforma do ambiente do Maní também acompanha a mudança de conceito, com inspirações artísticas que unem Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. O espaço passa a traduzir a imersão da chef no sítio, conectando cozinha, natureza e memória afetiva.
Reflexões sobre o percurso
Rizzo destaca a importância do MasterChef para ampliar horizontes culinários, sem perder o foco em técnicas básicas de preparo, textura e equilíbrio de cores. A chef ressalta o valor de uma comida bem feita, simples na execução porém complexa no sabor.
Em relação à desigualdade de gênero na gastronomia, ela relembra experiências passadas de machismo nas cozinhas e reforça a necessidade de avanços sociais. Mesmo diante de pressões por prêmios e estrelas Michelin, mantém o compromisso com a melhoria contínua da profissão.
Planos para o futuro
Entre planos de crescimento do Maní e de suas operações, a operadora do restaurante visualiza um futuro próximo mais ligado à vida no sítio. Ela imagina manter a prática de cozinhar com produtos cultivados no próprio espaço, cultivando uma relação mais calma com a vida.
Ao fim, a visão é clara: envelhecer em meio à natureza, cercada de família e amigos, mantendo a ligação com a culinária que a tornou conhecida. E seguir plantando ideias para o dia em que colherá os frutos do lugar que escolheu como lar.
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