- Novo romance de Martel, Son of Nobody, explora Troia e a Ilíada, incluindo como pesquisou o tema.
- Reforça livro favorito para líderes: A morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói, curto e com conteúdo nutritivo além de entreter.
- Fala sobre sua paixão secreta por egalitarianismo e critica à riqueza excessiva, defendendo distribuição de renda mais justa.
- Conta que recebeu carta de Barack Obama elogiando Life of Pi; leitores associaram a metafora de Richard Parker a situações reais como câncer ou sequestro.
- Relata uma experiência inusitada como ajudante de lavagens em um acampamento de plantio de árvores, descobriu prazer em cavar latrinas, e planeja visitar a Austrália, onde gostaria de ver um ornithorhíneo/platelipus; em Son of Nobody, ele brinca com a ideia de ser um ornitorrinco.
Yann Martel, o autor canadense conhecido por Life of Pi, abriu o jogo sobre inspirações, bastidores da carreira e opiniões sobre riqueza. Em entrevista publicada recentemente, ele comenta sobre personagens, leituras e escolhas que moldaram sua trajetória literária.
O escritor revela por que prefere animais como metáfora em suas obras, citando o bicho-preguiça como exemplo de vida calma. Ele também comenta recepções de leitores a Life of Pi, incluindo relatos de pacientes com câncer que usaram a figura do tigre Richard Parker para enfrentar doenças.
Durante o diálogo, Martel relembra uma interação marcante com Barack Obama, quando ainda era presidente dos EUA. O autor canadense diz ter ficado impressionado com a carta enviada pela filha do ex-presidente, elogiando o livro.
Troy, Iliada e curiosidades de pesquisa
O autor fala sobre Son of Nobody, novo romance que aborda a história de Troia e a Ilíada. Ao visitar o local histórico na Turquia, ele descreve a experiência como menos grandiosa do que o imaginado, destacando o contraste entre mito e o que restou fisicamente do passado.
Em outra passagem, Martel comenta o que mais o marcou nos trabalhos de pesquisa para o livro. O escritor ressalta a sensação de desapontamento ao ver o sítio arqueológico, apesar da familiaridade do público com figuras como Aquiles e Helena.
Influências e aconselhamentos de escrita
Sobre referências, Martel cita a obra Music for Airports de Brian Eno como trilha para a concentração durante a escrita. Ele também relata um conselho de Martin Amis: manter o foco no fardo do problema ou suspendê-lo para resolvê-lo mais tarde.
No que diz respeito a lições de vida, o autor afirma que aprender a largar é essencial. Ele observa que jovens costumam lutar contra a passagem do tempo e que muitos cronistas continuam produzindo obras abaixo do ideal conforme envelhecem.
Perguntas sobre visão social e hábitos
Martel comenta sua posição sobre desigualdade: afirma que é favorável à redução de riqueza extrema para ampliar oportunidades, citando a influência de grandes fortunas na proteção de combustíveis fósseis. O autor diz que pessoas com muito dinheiro deveriam estar mais engajadas com o bem comum.
O escritor também indica um livro que considera essencial para líderes políticos: A Morte de Ivan Ilício, de Tolstói. Segundo ele, a obra equilibra entretenimento com profundidade, oferecendo lições sobre o significado da vida.
Carreira, curiosidades e próximos passos
Entre empregos, Martel relembra ter trabalhado como lavador de pratos em um acampamento de reflorestamento, onde aprendeu a gostar de cavar, especialmente latrinas profundas. Em termos de preferências de viagem, ele expressa expectativa por visitar a Austrália e menciona o interesse por platipus, em referência ao seu novo romance.
O autor encerra com reflexões sobre a vida útil da escrita e a forma como o tempo afeta o que é produzido. A entrevista divide temas entre prática literária, experiências pessoais e visões sobre o mundo contemporâneo.
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