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Seis escritores indígenas para ampliar seu repertório

Movimento iniciado há três décadas consolida a presença de escritoras indígenas no mercado editorial brasileiro, ampliando a visão sobre povos originários

Destaques do mês incluem novo livro de Rosa Montero, um vencedor do International Booker Prize e uma análise crítica sobre uso da IA.
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  • O movimento de publicação de obras de escritores indígenas ganhou espaço no mercado literário brasileiro, após cerca de trinta anos de evolução, com novas vozes ganhando visibilidade ao lado de nomes consagrados.
  • Trudruá Dorrico, Makuxi, natural de Guajará-Mirim, é destacada na cena atual pela atuação como escritora, poeta e pesquisadora, com obras como Makunaimã Morî Mai e Tempo de Retomada, além de integrar a antologia Originárias.
  • Auritha Tabajara, de Ipueiras (Ceará), foi a primeira mulher indígena a publicar cordel no Brasil, e figura em coletâneas premiadas, além de ter obras infantis e participação em documentários sobre juventude e educação indígena.
  • Geni Nuñez, guarani de Dourados, é psicóloga e autora premiada, com títulos como Descolonizando Afetos e Felizes por Enquanto, além de ter publicado livro infantil e atuado como referência em estudos de relações sociais.
  • Cristino Wapichana, de Boa Vista, ativo na literatura infantil e em coletâneas premiadas, teve A Boca da Noite reconhecida com a Estrela de Prata do Prêmio IBBY, e integra obras destacadas como Cada Remada, Uma História.

O mercado editorial brasileiro abre espaço para obras de escritores indígenas, um movimento que vem se consolidando há cerca de 30 anos. Grandes nomes como Davi Kopenawa, Ailton Krenak, Daniel Munduruku e Eliane Potiguara pavimentam esse caminho, enquanto novas vozes ganham espaço na literatura brasileira.

A transformação envolve diferentes formatos, de infantil a ensaios e poemas, ampliando o repertório sobre as histórias dos povos originários. O grupo descrito a seguir destaca seis nomes em evidência no cenário nacional.

Trudruá Dorrico

Trudruá Dorrico, 34, Makuxi, é poeta, pesquisadora e referência atual na literatura indígena. Natural de Guajará-Mirim, doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS. Publica com destaque títulos como Makunaimã Morî Mai e Tempo de Retomada.

A autora também organiza e participa de coletâneas, incluindo Originárias, prevista para vestibular entre 2030 e 2033. Sua produção apoia a ampliação de espaços para vozes indígenas no mercado editorial.

Auritha Tabajara

Auritha Tabajara, 44, é de Ipueiras, Ceará, e pioneira na publicação de cordel entre mulheres indígenas no Brasil. Entre seus livros estão Coração na Aldeira, Pés no Mundo e A Árvore do Caju, voltados ao público infantil.

Participa de coletâneas como Apytama – Floresta de Histórias, vencedora do Jabuti 2024 na categoria Juvenil. Também integra projetos educacionais sobre saberes indígenas para crianças.

Geni Nuñez

Geni Nuñez, 35, é guarani e psicóloga, natural de Dourados, MT. Doutora em ciências humanas pela UFSC, atua como pensadora sobre relações sociais na sociedade contemporânea.

Entre suas obras estão Descolonizando Afetos e Felizes por Enquanto, além do infantil Jaxy Jaterê. Suas publicações expandem o diálogo entre povos e novas formas de amar.

Cristino Wapichana

Cristino Wapichana, 55, é da etnia Wapichana, nascido em Boa Vista, RR. Entre os principais nomes da literatura infantil indígena, participa de Apytama – Floresta de Histórias, vencedora do Jabuti.

Indicado ao prêmio por Cada Remada, Uma História, ao lado de nomes como Munduruku. Publicou A Boca da Noite, que recebeu reconhecimento internacional.

Márcia Kambeba

Márcia Kambeba, 47, nasceu em Solimões, AM, é geógrafa e pesquisadora. Publica poemas, ensaios e livros infantis, com títulos como Saberes da Floresta e O Lugar do Saber Ancestral.

Seu trabalho enfatiza saberes tradicionais e a relação entre povo e território. Participa de projetos que unem literatura e educação ambiental.

Ezequiel Vitor Tuxá

Ezequiel Vitor Tuxá, 29, nasceu na aldeia Tuxá Kiniopará, na Bahia. Além de escritor, atua como artista visual e psicólogo, formado pela UFBA.

Seu livro de estreia, O Que Falam as Águas?, trata dos impactos da Itaparica. Também publicou Ihendzi: A Árvore Andante e Rei-pássaro, fortalecendo a literatura infantil indígena.

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