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Dalton Paula: carisma e reparação racial na arte

Dalton Paula, ex-bombeiro e capoeirista, apresenta “Dupla Cura” em Inhotim, fortalecendo o debate sobre corpos negros, reparação e participação comunitária

Dalton Paula
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  • Dalton Paula inaugura a mostra Dupla Cura no Inhotim, abrindo as celebrações dos 20 anos da instituição, com obras diversas como esculturas, pinturas e videoinstalações.
  • A curadoria é de Bia Lemos e a exposição reúne trabalhos de diferentes fases da carreira do artista goiano, que também é capoeirista e ex-bombeiro.
  • Dalton é reconhecido pela presença marcante e já aparece pela segunda vez na Power 100 da revista ArtReview, subindo de 87ª (2024) para 68ª (2025), sendo o único artista brasileiro listado.
  • A pesquisa de Dalton valoriza a coletividade, dialoga com histórias de comunidades e utiliza percursos como Ciclo Econômico brasileiro, Rota do Algodão e Ciclo do Ouro para fundamentar seus projetos.
  • O artista discute a reparação racial e a representação do corpo negro na arte, enfatizando a necessidade de liberdade e participação sem arquétipos, além de planejar novas frentes, como estudo sobre a Guerra do Paraguai e a memória negra no Brasil.

Dalton Paula chega a Inhotim para a abertura da mostra Dupla Cura, marcada pela celebração dos 20 anos da instituição. A exposição reúne obras que vão de esculturas a videoinstalações, com curadoria de Bia Lemos, apresentando uma visão ampla da sua trajetória como artista, capoeirista e ex-bombeiro.

Ao longo da abertura, o público observa o carisma do artista, que circula entre visitantes e convidados. A nova mostra reforça a presença de Dalton no cenário artístico nacional, já reconhecida na lista Power 100 da ArtReview, onde subiu de 87 para 68 em 2025, sendo o único brasileiro listado.

Valorizar a coletividade

O recorte de Dalton enfatiza a pesquisa em campo como motor criativo. Ele descreve um percurso que inclui percursos econômicos brasileiros, rotas históricas e memória comunitária, buscando alimentar o trabalho com depoimentos e acervos públicos. A prática envolve multilinguagem e diálogo com comunidades.

Pintar o corpo negro

A obra debate a figura do corpo negro, inclusive o próprio, por meio de recursos que dialogam com a tradição erudita e o peso histórico dos saberes não eurocêntricos. O processo criativo combina pesquisa, licença espiritual e anotações em um “caderno de artista” que orienta as fases seguintes.

A comunidade anda junto

A atuação de Dalton extrapola a produção artística: a marca dele está ligada a um movimento coletivo denominado Sertão Negro, que celebra ações de fomento cultural, educação e sustentabilidade no sertão. O projeto envolve capoeira, dança, coral, cerâmica e apoio à agricultura local, fortalecendo vínculos com a comunidade.

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